Paulo Trancoso diz que morreu o "tio" do cinema português

O presidente da Academia Portuguesa de Cinema recorda que Henrique Espírito Santo "tinha criado umas aulas práticas especificamente para os jovens".

O presidente da Academia Portuguesa de Cinema (APC), Paulo Trancoso, disse à Lusa que o produtor Henrique Espírito Santo, que morreu este domingo, em Lisboa, foi o "tio" do cinema português.

"Foi ele que esteve à frente do Centro Português de Cinema em termos de coordenação da área da produção e, depois, através da Prole Filme. E há uma coisa importante dele, que era a disponibilidade para transmitir o ensino do cinema aos mais pequenos", disse o presidente da APC.

Paulo Trancoso recorda que Henrique Espírito Santo "tinha criado umas aulas práticas especificamente para os jovens e ia a muitos sítios promover essa aproximação ao cinema e como é que se faz o cinema por dentro", para além do papel de produtor e de ator.

O produtor Henrique Espírito Santo, um dos nomes "incontornáveis" do cinema português, como o classificou a Cinemateca Portuguesa, morreu este domingo, aos 87 anos, num hospital de Lisboa. Nascido em 18 de novembro de 1932, em Queluz, Henrique Espírito Santo foi, segundo a Cinemateca, que o homenageou em 2016, "cineclubista de formação, antifascista militante por convicção, diretor de produção e produtor de profissão e, last but not the least, formador de toda uma geração de profissionais de cinema na área da produção".

Crítico de cinema em várias publicações, foi professor na Escola de Cinema do Conservatório Nacional. Diretor de produção do Centro Português de Cinema, que marcou o movimento renovador das décadas de 1960 e 1970, trabalhou com cineastas como Luís Filipe Rocha, José Álvaro Morais, José de Sá Caetano, Solveig Nordlund, Jorge Silva Melo, João Mário Grilo e Alberto Seixas Santos.

O nome de Henrique Espírito Santo está associado à produção de "A Promessa", de António de Macedo, que entrou na seleção oficial do Festival de Cannes, em 1973, "Jaime", de António Reis, pioneiro do documentarismo em Portugal, "Benilde ou a Virgem Mãe" e "Amor de Perdição", de Manoel de Oliveira, entre mais de duas dezenas de filmes, que remontam ao final dos anos de 1960.

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