Peripécia homenageia teatro amador com nova peça

Estreia esta quinta-feira em Vila Real. É dedicada a um grupo de operários do vale do Ave que na década de 1970 criou um grupo para levar a arte à comunidade.

A nova produção da companhia Peripécia homenageia os operários têxteis do vale do Ave, que na década de 1970 fundaram um grupo de teatro amador para mudar consciências. Chama-se a "A Peça (Em 4 Turnos)" e foi inspirada numa história real. Estreia em Vila Real esta quinta-feira e repete na sexta.

A nova produção tem como ponto de partida o documentário que a Peripécia Teatro apresentou em 2021, com realização de Ramón De Los Santos. Neste trabalho explora-se a indústria de vale do Ave dos anos 70 do século passado. O foco está na história de um grupo de operários têxteis que formou um grupo de teatro amador, que deu origem à atual Associação Teatro Construção.

A ação de "A Peça (Em 4 Turnos)" decorre em Vale Saramagos, terra imaginária profundamente rural transformada em centro de produção fabril no vale do Ave, onde os padres e o catolicismo ainda dominam o pensamento geral. É nesse mundo que as personagens, Arantxa, Lurdinhas, Quim e Fonseca, todos operários fabris, criam um grupo de teatro amador.

As suas vidas mudam quando Amaral, líder do conjunto de trabalhadores, morre num acidente na fábrica. Devido ao seu caráter impulsivo e revolucionário, Arantxa rebela-se contra a atitude dos patrões e acaba por acusá-los da morte do colega. Isto leva-os a entrarem em rutura com os gestores, colocando em causa o emprego e, até, a viabilidade do grupo de teatro amador.

"A Peça (Em 4 Turnos)" é uma "oportunidade para homenagear o trabalho daqueles operários-atores", de acordo com o diretor artístico da criada pela Peripécia Teatro, Sérgio Agostinho. Se não fossem eles, ele próprio "muito provavelmente ou quase de certeza", não teria a profissão que tem hoje.

Por outro lado, "homenageia o teatro amador" a que aquele grupo dedicava os tempos livres com o objetivo de "abrir consciências e atuar em prol da conquista de uma vida melhor". Um trabalho que esteve na base da "formação de profissionais e de bom público".

A nova peça também presta tributo ao teatro como arte em si e às pessoas que se dedicam a ela. Sérgio Agostinho refere que é "uma forma de brincar ao teatro dentro do teatro", ao mesmo tempo que "faz o espetador rir e refletir sobre as dificuldades de o concretizar".

Dificuldades que são mais sentidas num grupo amador, acentua o encenador da peça José Garcia, pois é composto por pessoas que "trabalham sem ganhar nada". "Nos seus tempos livres podiam estar com a família ou com os amigos, mas depois do trabalho ainda vão fazer teatro para oferecer à comunidade. Isto é de uma beleza única!" enaltece.

O encenador não tem dúvidas que o público vai divertir-se, enquanto reflete sobre a importância dos grupos de teatro amador.

O espetáculo sobre ao palco do Teatro de Vila Real nos dias 5 e 6 de maio, quinta e sexta-feira, às 21h30. Os bilhetes custam cinco euros. A "Peça (Em 4 Turnos)" vai ser exibida em Braga, no Festival Mimarte, no dia 8 de julho, e depois regressará a Vila Real, ao Festival Lua Cheia, em Coêdo, no dia 12 de julho.

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