Primeiro Festival pela igualdade de género traz relação de Frida e Chavela a palco

O Festival da Igualdade de Género - o Género ao Centro - está em Penela, na Biblioteca Municipal, nos dias 19 e 20 de novembro.

Está a decorrer o primeiro Festival de Igualdade de Género para crianças e jovens, o Género ao Centro. Conta com o apoio da Direção Regional da Cultura do Centro, já passou pelo Teatro da Cerca de São Bernardo, em Coimbra, e no próximo fim de semana está pela Biblioteca Municipal de Penela.

O público tem sido convocado para debates e conversas com associações e especialistas ligados à temática da igualdade de género, mas o ponto alto do festival tem sido a peça de teatro - Frida e Chavela - uma história de humanidade, que homenageia estas figuras como símbolos das mulheres, do feminismo e da luta pela igualdade. "Ao contar a história da Frida e da Chavela é uma boa maneira de chegarmos às crianças e aos jovens", revela Vânia Couto que acrescenta que a vontade de trabalhar a temática da igualdade de género já não é recente na Catrapum Catrapeia, mas só agora se proporcionou: "De uma forma muito curiosa, eu e a Élia acabámos por nos conhecer. Ela é quem interpreta Frida. Vim aqui ao salão dela cantar uma música da Chavela. Foi um encontro muito forte e muito bonito e desta amizade surgiu esta peça."

Uma obra proposta, no ano passado, para a semana cultural da Universidade de Coimbra. A isso somou-se a candidatura feita para a organização de um festival de igualdade de género que tem, no entanto, chocado algumas pessoas. "Então, mas vão ensinar as crianças a serem homossexuais?", questionaram alguns. "Isso são exageros feministas ou esquerdistas, cheguei a ouvir isso", lembra Vânia Couto.

O tema não é consensual e, por isso, para outros o festival está também a ajudar a quebrar com estereótipos e preconceitos.

"Acaba por ser uma discussão entre as duas, porque elas reivindicam a atenção uma da outra, que em vida não deram. E acabam por discutir porque é que aquela relação não foi mais do que existiu e porque é que ambas não se entregaram mais", explica Élia Ramalho, que escreveu a peça Frida e Chavela - uma história de humanidade e, no palco, é Frida Calo. "Não tem nada de muito inventado, apenas me fui informar mais sobre coisas que tinham acontecido na vida real, como é que elas tinham vivido aquele amor e o que é que tinha ficado por resolver", afirma.

Para a atriz Élia Ramalho, interpretar Frida tem sido um desafio, uma descoberta, uma catarse. "Não quis ser igual a ela e repeti-la, mas há episódios da vida dela que vêm ter automaticamente comigo", por exemplo "esta coisa de amar pessoas e gostar de pessoas independentemente da sua sexualidade. Foi uma experiência que tinha passado recentemente e que ainda andava a processar dentro de mim", declara.

À peça de teatro, o festival junta debates, workshops de pintura e música de intervenção, ou seja, a igualdade através da arte, mas também o encontro com quem nem sempre se vê respeitado na sua sexualidade. Vânia Couto lembra o encontro dos mais novos com Briana, uma mulher trans. "Ser mulher e ser trans são duas coisas complexas porque ambas as questões trazem dificuldades. Ela passou por muito bullying, mas houve uma grande empatia dos públicos, de nos colocarmos no lugar dos outros, do reconhecer que somos diferentes, mas não é por isso que temos de ser postos de lado", acrescenta.

A peça de teatro e o festival são uma gota no oceano, reconhece Élia Ramalho, mas tem a certeza que já mudou vidas e formas de pensar e, por isso, já valeu a pena.

Nos dias 19 e 20, o Festival da Igualdade de Género - o Género ao Centro - está em Penela, na Biblioteca Municipal.

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