"ReConstituição portuguesa": um exercício de liberdade poética

Rasurar para celebrar Abril. Esta segunda-feira, no Museu do Aljube, em Lisboa, a Constituição de 1933 é lançada aos quatro ventos num grito de liberdade poética que transforma um símbolo do fascismo, nos valores de Abril. Víton Araújo e Diego Tórgo pegaram no lápis azul e deitaram mãos à obra.

A partir da Constituição do Estado Novo, uma tribo de poetas e de ilustradores semeia a liberdade rasurando o texto de 1933, com palavras e desenhos que transformam um símbolo do fascismo num grito de liberdade poética. Rasurar foi o gatilho da inspiração para os poetas. A técnica da blackout poetry fez o resto. "Pode ser um folheto, um jornal, um livro, desta vez foi o texto da Constituição de Salazar", e só depois os ilustradores pegaram no lápis azul dando imagens às palavras. A Companhia das Letras editou e o livro é lançado no dia em que se comemoram os 48 anos do 25 de Abril.

"Às vezes a falta de liberdade também ajuda à criatividade. O texto é muito burocrático, e é complicado encontrar poesia naquelas palavras. Tem de censurar bem para dali tirar algo." Víton Araújo resume assim o processo de construção desta ReConstituição, "procurando textos de poesia ou mensagens" que subvertessem o sentido do texto original.

Os artigos foram escolhidos ao calhas, os poetas e os ilustradores a dedo: "Portugueses, brasileiros e de países de língua oficial portuguesa."

A página nunca esteve em branco. Os direitos de autor revertem para a Associação 25 de Abril.

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