Serralves celebra Agustina Bessa-Luís com diálogo entre textos e obras de arte

"Uma Exposição Escrita: Agustina Bessa-Luís e a Coleção de Serralves" estará em exposição até abril de 2023, apresentando-se "como um livro em três dimensões", que tanto pode ser visto como lido.

O centenário de Agustina Bessa-Luís vai ser celebrado em Serralves, no Porto, com uma exposição que põe em diálogo a obra da escritora e peças da coleção daquele museu para levar o visitante a "pensar as coisas do avesso".

"Uma Exposição Escrita: Agustina Bessa-Luís e a Coleção de Serralves", em exibição a partir de domingo, até abril de 2023, conta com curadoria de Ricardo Nicolau e António Preto, e apresenta-se "como um livro em três dimensões", que tanto pode ser visto como lido.

"É sempre um desafio expor literatura, trazer para um espaço de galeria de museu algo que é da ordem de outro meio, o livro. É uma exposição para ver, para ser lida, que traduz uma subjetividade, que procura ampliar leituras dos textos, apela à participação do visitante convidado a levar ainda mais longe as relações que aqui são propostas", explicou Ricardo Nicolau, à margem de uma visita guiada para a Comunicação Social às três salas da mostra.

Ao percorrer as salas de Serralves dedicadas àquela exposição, o visitante vai tendo perante si "um campo de possibilidades" de diálogos entre as 33 obras da coleção e as palavras de Agustina Bessa-Luís nas obras "Aforismos" (1988), "Contemplação Carinhosa da Angústia" (2000), "Dicionário Imperfeito" (livro publicado em 2008 que reúne excertos de textos organizados por ordem alfabética) e "Ensaios e Artigos" (1951--2007; 2017).

"[É uma exposição] representativa da escrita de Agustina e representativa da coleção de Serralves, [mostra] o que uma obra nos diz e como isso pode ser traduzido pelos textos da Agustina e vice-versa", explicou aquele curador, para quem Agustina Bessa-Luís "é uma anarquista" e isso "fica muito presente" naquela exposição.

"Aborda sempre de uma forma provocadora - e provocadora aqui significa algo que nos obriga a pensar as coisas de outra maneira, pensar as coisas do avesso", salientou Ricardo Nicolau.

Para António Preto, não é possível escolher um 'diálogo peça-texto' favorito: "São todos. Todos são estimulantes. Partimos do objetivo de mostrar nas paredes o mínimo de textos sobre arte (...). Nem é uma exposição lógica no sentido de trazer para a galeria os livros de referência", explicou.

A exposição privilegia, assim, uma "prosa que, por um lado, servisse de entrada ao universo da escritora e que, por outro, atraísse determinadas obras da Coleção de Serralves".

"Queremos promover a curiosidade aos visitantes de irem ler mais coisas de Agustina porque ela é uma das escritoras portuguesas mais conhecidas, mas não é uma das mais lidas", referiu.

Da coleção de Serralves estão em exposição obras de Patrícia Almeida, Hans Peter Alvermann, Manuel Alvess, Richard Artschwager, John Baldessari, Artur Barrio, Eduardo Batarda, Marcel Broodthaers, Ulises Carrión, Tony Cragg, Haris Epaminonda, Didier Fiúza Faustino, Hans-Peter Feldmann, Hamish Fulton, Raymond Hains, Fernando Lanhas, Álvaro Lapa, Rita McBride, Emília Nadal, Bruce Nauman, Lucia Nogueira, Luís Noronha da Costa, Paulina Olowska, Silvestre Pestana, Dieter Roth, Julião Sarmento, Thomas Schütte, Neal Slavin, Richard Tuttle, Ben Vautier, João Vieira, Franz West e Paula Rego, com quem Agustina, aliás, coassinou "As Meninas".

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