Terceiro OperaFest começa esta sexta-feira em Lisboa com "Um Baile de Máscaras" de Verdi

O festival conta este ano com uma grande novidade: um espetáculo a pensar nos mais novos.

A terceira edição do OperaFest começa esta sexta-feira, em Lisboa, com "Um Baile de Máscaras", de Verdi, e quer dar a conhecer a ópera a um público mais alargado.

À TSF, Catarina Molder, soprano e diretora do festival, apresenta o OperaFest.

"É o único festival de ópera independente português e que procura levar a ópera a todos os públicos, que constrói uma programação muito variada e que acontece ao longo de quase um mês num recinto ao ar livre. É um festival que pretende levar a ópera ao público com o mesmo entusiasmo de um festival pop/rock. Temos uma programação que vai desde os grandes clássicos a óperas menos conhecidas do grande público", afirma, em declarações à TSF.

A edição deste ano do OperaFest arranca com um clássico: um baile de máscaras de Giuseppe Verdi.

"Arrancamos e terminamos com bailes de máscaras, também queremos fazer um bocadinho a catarse da máscara no pós-pandemia. Arrancamos com um grande clássico verdiano, um baile de máscaras que, no fundo, é um triângulo amoroso de um monarca que é assassinado num fatídico baile de máscaras, às mãos do seu melhor amigo. É uma ópera cheia de suspense", refere.

O programa promete aproximar a ópera de públicos de todas as idades e Catarina Molder diz que uma das grandes novidades da edição deste ano é um espetáculo pensado especificamente para os mais novos.

"Vamos finalmente conseguir arrancar com o ciclo do público do futuro, que é um ciclo para sensibilizar os mais novos à ópera", com "Jeremias Fisher. A história do menino Peixe", de Isabel Aboulker.

Em declarações à Lusa dias antes do arranque do festival, a diretora artística, a soprano Catarina Molder, afirmou que se tem alcançado, nas duas edições anteriores, "não só o público mais jovem, como um público variado, que vem de outras franjas artísticas e musicais, e que encontra na programação [do OperaFest], devido ao seu ecletismo", fatores de interesse.

O OperaFest começa esta sexta-feira e prossegue até 10 de setembro, no Jardim do Museu Nacional de Arte Antiga, parceiro da Ópera Castelo, que produz o certame.

Além do compromisso de "alcançar todos os públicos", o OperaFest aposta em novos criadores e intérpretes, e no talento nacional.

"O OperaFest é um palco inclusivo, onde haverá talento nacional a 100%, a todos os níveis, desde os talentos mais emergentes, ao nível de músicos, cantores, maestros, e também ao nível criativo, e de toda a equipa técnica e da produção".

Catarina Molder sublinhou que "ninguém trabalha para o OperaFest de graça".

"Nós banimos completamente as práticas de voluntariado ou de estágios não remunerados, porque achamos que é dissimular a exploração laboral. Apesar de termos parcos meios, respeitamos muito o trabalho e a dignificação do trabalho jovem, porque, se não fosse essa força dos jovens e a conjugação de sangue fresco com experiência, o OperaFest não existia", argumentou.

Da programação deste ano destaca-se a estreia absoluta da ópera "Minotauro", de João Ricardo, vencedor, no ano passado, do Prémio Carlos Pontes Leça, que toma o nome do antigo responsável pelo Serviço de Música da Fundação Calouste Gulbenkian.

"Minotauro" estreia-se no dia 06 de setembro, às 21h00, e, segundo nota da organização, "é um episódio operático que propõe uma desconstrução do mito do Minotauro".

A ópera "Um Baile de Máscaras" (1859), de Verdi, abre hoje o certame e estará em cena até ao dia 26.

A já tradicional "rave operática", intitulada este ano "Um Baile de Máscaras para Desafiar o Destino", encerra o festival.

Também no último dia do festival, 10 de setembro, às 21h00, sobe à cena a ópera "O Homem dos Sonhos" (2022), de António Chagas Rosa, a partir de leituras de Mário de Sá-Carneiro (1890-1916), uma obra que se estreou em fevereiro passado no Teatro S. Luiz, em Lisboa.

"O Homem dos Sonhos" é dirigida pelo maestro Jan Wierzba, com direção de cena de Miguel Loureiro, cenografia de André Guedes, figurinos de João Telmo e desenho de luz de Daniel Worm.

A ópera de Chagas Rosa é protagonizada por Catarina Molder, no papel do homem dos sonhos, que vai contracenar com o barítono Christian Luján, acompanhados pelo Ensemble MPMP.

Da programação divulgada consta, nos dias 27 e 28 de agosto, a estreia portuguesa da ópera em um ato "Labirinto" (1963), de Gian-Carlo Menotti.

O elenco de "Labirinto" é constituído pelo barítono Tiago Amado Gomes, a soprano Cecília Rodrigues, a meio-soprano Ana Ferro, o tenor Alberto Sousa, e o ator Benjamim Barroso.

Também nos dias 27 e 28 de agosto, sobe à cena "Uma Partida de Bridge", de Samuel Barber.

Esta dupla apresentação tem direção musical de Tiago Oliveira e cénica de Bruno Bravo, cenografia e figurinos de Stéphane Alberto e desenho de luz de Pedro Santos.

Para "Uma Partida de Bridge", o elenco conta com Cecília Rodrigues, Ana Ferro, Alberto Sousa e Tiago Amado Gomes, acompanhados pelo Ensemble MPMP.

O cartaz inclui ainda a ópera de câmara para os mais novos "Jeremias Fisher. A história do menino Peixe" (2007), de Isabel Aboulker, com libreto a partir da peça teatral "Jérémy Fischer", de Mohamed Rouabhi, na versão portuguesa de Luís Rodrigues.

A ópera, "que fala sobre a transformação e o crescimento", está em cena nos dias 01 a 03 de setembro, sempre às 21:00, com direção cénica de Michel Dieuaide, coordenação musical e correpetic¸a~o de Nuno Barroso, cenários e figurinos de Danie`le Rozier.

Esta ópera de câmara conta com a participação do Quarteto Artzen, do coro infantil da companhia da O´pera do Castelo, do Coro da Ópera do Castelo e ainda de Catarina Molder, dos barítonos Lui´s Rodrigues e Armando Possante, que também dirige o coro infantil, e do escritor Pedro Frias, como narrador.

A programação conta ainda com aulas de canto para amadores, de cerca de 30 minutos, na "Máquina Lírica", na Sociedade Guilherme Cossoul, nos dias 06 e 07 de setembro, orientadas pelo barítono André Henriques e o tenor Alberto de Sousa.

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