Toureiros juntam-se a protesto em defesa da cultura. Artistas falam em "oportunismo"

A Plataforma Cultura em Luta organiza esta terça-feira um protesto pelo aumento das verbas destinadas às criações artísticas. Os toureiros reclamam que também são "artistas por direito" e garantem que vão juntar-se à ação.

Os trabalhadores do setor da cultura voltam a sair à rua esta tarde. Artistas, músicos, atores, bailarinos, encenadores, bibliotecários, arquivistas e arqueólogos exigem 1% do Produto Interno Bruto (PIB) para a cultura, uma nova estratégia para o setor, a impugnação dos concursos de apoio às artes e a demissão da ministra Graça Fonseca.

O artista plástico Pedro Penilo, porta-voz da Plataforma Cultura em Luta, explica que o mais importante é que o Estado cumpra "as suas obrigações constitucionais de defesa do direito à cultura" e que respeite, dignifique e apoie os direitos de todos aqueles que trabalham no setor cultural.

O Ministério da Cultura designou cerca de 18 milhões de euros para o apoio a cerca de uma centena de entidades artísticas, na área da criação e da programação, nos próximos dois anos. Os trabalhadores do setor garantem que as verbas são insuficientes, pelo que reclamam que 1% do PIB seja alocado à cultura.

"Nós desdobramos esta exigência em dois patamares: o patamar mínimo, para já, é de 1% do Orçamento do Estado, e depois, progressivamente, o objetivo é conseguir 1% do PIB - o que é uma recomendação da UNESCO [a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura] para países com uma economia semelhante à nossa", explicou Pedro Penilo à TSF.

A Plataforma Cultura em Luta vai estar em protesto, a partir das 18h00, no Largo de São Carlos, em Lisboa, e na Praça General Humberto Delgado, no Porto. Em Bragança, o protesto decorre entre as 11h00 e as 17h00, na Praça da Sé.

Também os profissionais da tauromaquia, através da Associação Nacional de Toureiros e da Associação Nacional de Grupos de Forcados, decidiram juntar-se a este protesto do setor da cultura, o que Pedro Penilo classifica como "oportunismo".

"Não queremos alimentar problemas que são alheios à ação que estamos a realizar. A nossa ação é uma luta contra a política realizada pelos governos das últimas décadas, portanto, dificilmente algumas organizações se poderão identificar com isto", afirmou o porta-voz da Plataforma Cultura em Luta. "Pode haver, sim, tentativas oportunistas de fazer disto uma outra coisa que isto não é e que não quer ser", admitiu.

Nuno Pardal, presidente da Associação Nacional de Toureiros, garante que os problemas do setor tauromáquico são os mesmos do que os dos restantes participantes no protesto, pelo que querem ter lugar nesta luta.

"Nós somos artistas por direito e, portanto, unimos os nossos esforços e partilhamos da mesma dor que os outros colegas de expressões artísticas de vários meios", afirmou Nuno Pardal, em declarações à TSF.

"Independentemente da Plataforma Cultura em Luta dizer que é antitaurina, nós achamos que também nós, que não somos bem tratados, devemos estar presentes na luta", defendeu.

O presidente da Associação Nacional de Toureiros aponta que os profissionais da tauromaquia não recebem financiamento por parte do Ministério da Cultura e critica a postura da ministra Graça Fonseca.

"A cultura acaba por ser sempre o parente pobre do Governo, e de facto existem grandes discriminações quanto ao financiamento. A tauromaquia, ao contrário do que muita gente diz, é a única arte que não é subsidiada pelo Ministério da Cultura", lamentou, acusando a ministra da Cultura de gerir o ministério "consoante os seus gostos".

"Uma pessoa, por não gostar de fado, não pode abolir o fado", atirou Nuno Pardal. "A tauromaquia está integrada e protegida pela própria Constituição como um espetáculo cultural e, portanto, rege-se pelos regulamentos que estão em vigor e que são tutelados pelo ministério."

Contactado pela TSF, o Ministério da Cultura garante que este setor foi a "área governativa que mais cresceu ao longo da última legislatura". "Em quatro orçamentos, o orçamento para a Cultura cresceu 38%. Só para 2019, houve um reforço de 13%, contrariando fortemente o desinvestimento que pautou a política do anterior Governo, que cortou 35% no orçamento da Cultura", indica o ministério.

A tutela aponta que, entre 2015 e 2019, houve "um crescimento do orçamento de 83%" no Apoio às Artes, "atingindo em 2019 os 25 milhões de euros".

"O compromisso do Programa do Governo é, agora, ao longo dos quatro anos da atual legislatura, crescer progressivamente o orçamento para a Cultura até atingir 2% das receitas gerais do Estado", garante o Ministério da Cultura.

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