Trinta jovens portugueses e galegos vão à escola do rock and roll em Paredes de Coura

É na Caixa da Música, no centro da vila de Paredes de Coura, que se dá música à pandemia.

A Escola do Rock de Paredes de Coura está de regresso, após um ano de interregno por causa da pandemia de Covid-19.

A edição 2021 junta trinta jovens de vários pontos do país e da Galiza, que por estes dias devolvem à vila algum do ambiente típico do festival de música, que acontece na praia fluvial do Taboão desde 1993. Este ano com inscrições limitadas (número de participantes costuma rondar a meia centena), a residência artística reúne "rockeiros" de Matosinhos (2), Braga (4), Lisboa (1), Vila Nova de Gaia (1), Porto (3), Paredes de Coura (10), Vila Verde (1), Aveiro (1), Vale de Cambra (1), e de Espanha (1 de Granada e 5 de Vigo).

"Já estou na escola desde a primeira edição. Esta é a sétima. É uma semana de pura diversão, mas de muito trabalho. Vimos para aqui fazer música", conta Marta Carvalho, de Paredes de Coura, que este ano vai cantar "Break on through (To the other side)" dos Doors.

A escola rola com as habituais alegria e descontração. Tem como quartel-general a Caixa da Música, um espaço polivalente no centro da vila. Os jovens usam máscara e sentam-se à porta, distantes uns dos outros. Ouve-se música.

"É um alívio e uma grande felicidade poder, mesmo com estas condicionantes todas, menos participantes, máscaras e cuidados, estar com os mais novos, tocar, partilhar conhecimentos e ver concertos", afirma Miguel Ramos, artista plástico e professor de guitarra clássica e baixo elétrico, há muito formador na escola de Coura. E que ensina Maria Martins de 13 anos, acordes no seu novo baixo elétrico, que ganhou de prenda no último aniversário.

"Toco contrabaixo e queria experimentar outros estilos de música e tocar mais baixo elétrico. Acho que isto é bom. Dá novos conhecimentos de música", disse a jovem, que está a aprender temas na sua maioria mais antigos que ela própria. "Alguns já conhecia, de ouvir com o meu pai e com a minha a mãe", afirmou.

As Outsiders, banda formada por quatro raparigas de Guimarães, Linda Inês, Andreia, Diana e Francisca (baixista que não participou por motivos de saúde) tocam indie pop e são uma das duas bandas residentes da escola.

"Já podemos dizer que tocamos em Coura. Isso já nos dá uma boa sensação. Acho que depois disto já vamos estar com uma bagagem muito maior, que vai abrir as nossas mentes", comentou a baterista, Linda Inês.

A outra banda também é formada por raparigas. Chama-se The Rebel Spirits, e veio de Pontevedra, Galiza.

"Viemos porque a nossa professora de música sugeriu que nos inscrevêssemos para estar uma semana em Portugal a fazer música e a gravar canções. Assim o fizemos e aqui estamos. É muito divertido", contou RaiSha Méndez, voz e baixo da formação galega.

A escola tem 12 temas no alinhamento. Ouvem-se ensaios de músicas de Manel Cruz a Nirvana, Iggy Pop, Doors e Talking Heads.

"Já que não podemos ter o festival grande, temos o festival pequenino com dezenas de miúdos na vila, num ambiente maravilhoso, que já nos traz as saudades do nosso Festival de Paredes de Coura", comenta Vítor Paulo Pereira, presidente da Câmara e um dos fundadores dos dois eventos de música por ele referidos. Já deixou a organização e passou a ser autarca, mas continua a ser do rock. "A política precisa de muito mais rock and roll", conclui.

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