Um "Amor Eterno" que começou em Angola e passou pela rádio 

David Borges, um dos fundadores da TSF, juntou as memórias que viveu com a mulher, Sílvia, e criou uma história em que o passado é real, e o futuro, poderá ser. Na Manhã TSF, contou a história do livro.

David Borges fazia rádio em Huíla, e quando chegou a Portugal, nos turbulentos anos 70, deixou para trás um país a autodestruir-se, e encontrou outro, que não era o que lhe tinham pintado.

As memórias que construiu com Sílvia, a mulher entretanto falecida, começaram muito antes disso, e estenderam-se até ao novo milénio.

Foram organizadas e guardadas num pequeno caderno, e numa pasta, que têm como destinatárias, as netas.

"Amor Eterno", recentemente editado, é uma abordagem as essas memórias, que inclui o essencial que está contado no caderno, e que ficciona, o que poderá ser vivido pelas netas quando forem maiores e receberem esta herança, em 2034.

"Gostavam que elas tivessem a curiosidade de ir aos locais onde os avós viveram aqueles acontecimentos", contou David Borges, na Manhã TSF, acrescentando que as netas "ficarão com certeza encantadas com as belezas naturais de Angola, porque essas não vão desaparecer".

As memórias, são também dos tempos de guerra.

Em Angola, sentiu bombardeamentos sobre o centro de cidades, e viu pessoas presas dentro de uma cidade, que é uma forma de violência particularmente grave e traumatizante.

No Koweit, David Borges foi o primeiro repórter a noticiar a entrada das tropas americanas, que derrotaram o ocupante iraquiano, na primeira guerra do Golfo.

Pelo caminho, viu "corpos ainda a arder na beira da estrada", e essa é outra das imagens que guarda para poder definir o que é a guerra.

Há memórias felizes, passadas com a mulher, e nem todas podem ser transmitidas em livro.

E há as memórias do primeiro ano, da TSF, que são descritas como "o ano mais mágico da TSF", levam David Borges a dizer que "todos os projetos só deviam ter um ano".

Sobre a rádio atual, apesar da tentação de dizer "no meu tempo é que era bom", não o faz. Mas não deixa de ser crítico, sobre muita falta de capacidade de ser ser criativo, e porque a língua portuguesa é muito maltratada.

Quanto ao jornalismo, lamenta o afastamento gratuito dos cabelos mais grisalhos das redações, apenas com a intenção de pagar menos a trabalhadores precários e baratos.

"Amor Eterno", é um livro de David Borges, editado pela Oficina do Livro.

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