"Um mistério." Steve Parke em Portugal para mostrar fotografias inéditas de Prince

São mais de 50 fotografias que põem a nu alguns dos momentos cruciais da vida do ícone. Steve Parke vai a Vila Nova de Gaia para contar histórias nunca antes contadas e expor a imagem do mito na intimidade do seu quotidiano.

"Como não homenagearmos o Prince pela carreira toda que ele teve? Prince, um workaholic, Prince um dos músicos mais prolíficos das décadas de 1980 e 1990..." É Davide Lobão, programador do Hard Club, no Porto, e produtor musical, que compõe o argumento para a exposição com inauguração marcada para 12 de setembro, no ArrábidaShopping, em Vila Nova de Gaia.

O artista, que morreu, em 2016, aos 57 anos, permanece um ícone alimentado pelo mistério, e Steve Parke, fotógrafo que com ele partilhou 13 de anos de trabalhos em Minneapolis, vem a Portugal para levantar a ponta do véu às camadas (carregadas de pingentes) de Prince.

"Há coisas que vão demorar décadas e décadas a serem descobertas. Com esta exposição de Steve Parke, uma pessoa que conviveu com Prince durante a década de 90 e criou aqueles símbolos icónicos que nós conhecemos, percebemos que há ainda muito por saber sobre a vida e o dia-a-dia do artista", assegura Davide Lobão, em declarações à TSF.

Depois da morte, o mito ainda vive, numa remanescência de chuva púrpura ["Purple Rain"] e lágrimas de pomba ["When Doves Cry"]. "Sabemos o que sabemos por ouvir a música dele. Eu, enquanto fã, ainda não sei. Ainda há muitos aspetos do Prince por descobrir."

Alguns dos aspetos escondidos da luz do estrelato vão ganhar sombras, pretos, brancos e cores pelas mãos de Steve Parke, que leva à ribalta o certame "Prince: As Never Seen Before" até 2 de novembro. A exposição, que inclui 50 fotografias nunca antes vistas, tem a co-curadoria de Ana Moura, fadista e amiga do cantor norte-americano. "Prince foi embora cedo, e deixou um espólio que devemos homenagear durante o resto das nossas vidas, e passá-lo de geração em geração", assinala o programador.

São vários "Prince" os que compuseram a "persona que ele criou em vida", enquanto lutava contra os seus demónios e escolhia mostrar-se "completamente lascivo naquilo que queria dizer".

"Ele passou as décadas a interpretá-las e a interpretar a vida ao longo do tempo." Desses anos, Davide Lobão destaca um momento significativo: "quando começa a produzir, no início dos anos 2000". No entanto, aponta, "não nos podemos esquecer nunca dos anos 80 e princípios de 90, com uma estética completamente diferente do que o que os outros faziam".

Prince, o artista que "fazia questão de só deixar sair aquilo que ele achava que era mesmo o que queria que as pessoas ouvissem", tinha o mesmo grau de seletividade quanto às imagens que eram difundidas pela comunicação social. Agora, "como ele já não pode fazer a triagem de material, acredito que haverá muito mais a sair para conhecimento do público nos próximos anos".

"É um mistério" ainda, mas Davide Lobão acredita que "começámos agora a levantar a ponta do véu para descobrir o Prince, especialmente enquanto pessoa". "O Prince trabalhava de uma forma completamente exaustiva, com muitas pessoas diferente." Esse é um dos factos que Steve Parke, fotógrafo, ilustrador e designer premiado, vem partilhar com o público português esta quinta-feira, momento em que apresentará o seu livro "Picturing Prince: An Intimate Portrait" em exclusivo na Almedina do ArrábidaShopping.

Prince Roger Nelson estabeleceu durante mais do que uma década "uma relação de confiança absoluta", restrita e íntima. "Prince deixou-se fotografar por ele em momentos em que se expunha mais. Steve Parke terá bastantes histórias para contar. Ele estará a apresentar o seu livro, e acredito que seremos surpreendidos com o que ele vai contar", refere Davide Lobão.

Os símbolos mais icónicos que pontuaram a carreira do artista foram idealizados em conjunto. Este e outros pormenores serão desvelados na inauguração da exposição, que contará também com a atuação e reinterpretação de músicos portugueses, como Xutos & Pontapés, da discografia do cantor.

Depois da homenagem a David Bowie, em 2018, fez sentido, argumenta o programador, expor (algumas das) camadas de Prince que "vão continuar a alimentar a curiosidade e o mistério durante anos".

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