Uma árvore com 32 metros e 54 toneladas, o alerta de Ai Weiwei

"Pequi vinagreiro" é o nome da obra mostrada pela primeira vez ao público e que demorou cerca de três anos a estar concluída. "Entrelaçar" é o título da exposição de Ai WeiWei em Serralves.

Em pleno Parque de Serralves, a árvore com 32 metros de altura, 54 toneladas de metal, viajou por três continentes. Trata-se da réplica em tamanho real de uma árvore com mais de 1200 anos que o artista e ativista chinês encontrou no Brasil.

"Eu sinto-me muito afortunado por poder mostrar aqui esta árvore pela primeira vez. É um alerta sobre as relações com a natureza e o ambiente, mas também sobre as raízes da minha criação sobre a própria vida", confessa o artista.

O processo de construção do "Pequi Vinagreiro" foi complexo, envolveu mais de cem pessoas, uma verdadeira obra de engenharia.

"Tivemos de garantir que, depois de montadas, estas 800 peças estavam perfeitas e foi complicado. Num primeiro momento, o molde da árvore foi do Brasil para a China, onde começámos a fundição em ferro. Demorou cerca de um ano para que cada peça estivesse pronta e fosse sendo colocada na árvore. Estiveram envolvidas cerca de 100 pessoas, técnicos e engenheiros chineses e brasileiros. Geograficamente, veio do Brasil, foi para a China e depois veio para a Europa. Em Serralves é a primeira vez que temos oportunidade de a mostrar", explica Ai WeiWei.

O "Pequi vinagreiro" que serviu de molde à escultura de Ai WeiWei já não existe, acabou por morrer. O artista chinês diz que a floresta Amazónica está em risco, mas as políticas de Jair Bolsonaro não são caso único no mundo. "A Amazónia tem gradualmente colapsado e desaparecido e a atual situação política no Brasil contribuiu para este rumo, mas acho que é mais do que isso. Não é apenas um problema do Brasil, mas uma questão global. Vende-se o que se tem, há um grande mercado lá e toda a gente faz parte dele. A China, obviamente, contribui muito para o consumo dos recursos brasileiros."

Dissidente chinês, um dos maiores críticos do regime de Pequim, trocou a vida no exílio britânico por Portugal. "Gosto muito de Portugal, porque tem muita natureza, o oceano, territórios muito bonitos, diferentes tipos de flores e de árvores... é muito agradável. Acho que é um país muito seguro e então em comparação com outros lugares... Eu adoraria regressar à China se fosse seguro... poderia ver a minha mãe que vive lá. Falo com ela ao telefone todas as semanas e ela diz-me para não voltar. Quando uma mãe diz para não regressarmos, já sabemos o que isso significa, não é?"

A exposição de Ai WeiWei em Serralves com o título "Entrelaçar" inclui esculturas de sete raízes espalhadas pelo Parque de Serralves. Daqui passamos para o interior do Museu, onde, na sala central, vemos a escultura "Duas Figuras" e a obra Mutuophagia, uma fotografia colorida em grande escala, que apela aos sentidos.

Na exposição em Serralves também é apresentado o filme "Uma árvore", que mostra todo o processo de criação da escultura "Pequi Vinagreiro". Será ainda apresentada uma mostra de filmes de Ai WeiWei divididos em quatro temas: "Quatro pandemias"; "Contra a censura, cantemos"; "Da utopia à distopia" e "Os condenados da terra".

"Entrelaçar", de Ai WeiWei, para ver no Museu de Arte Contemporânea de Serralves a partir desta sexta-feira e até 5 de fevereiro de 2022. As esculturas ficam no Parque até 9 de julho de 2022.

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