"Uma boa década." A memória de um museu não nasce de um dia para o outro
Reportagem TSF

"Uma boa década." A memória de um museu não nasce de um dia para o outro

Infiltrações, vitrines temporárias há quase 40 anos, falta de pessoal de manutenção, muito poucos historiadores de arte e conservadores para tomarem conta das 50 mil peças que, nas diversas áreas, constituem a coleção do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA).

Ao longo do percurso por entre verdadeiros tesouros, Joaquim Caetano, o diretor, mostra as consequências de estragos recentes. Lá no alto, pelo canto do teto de uma das salas, "entrava água" até há bem pouco tempo. Foi preciso "fazer uma recuperação", e, por causa disso, fechar esta sala ao público durante duas semanas. Eram "problemas num cano de descarga de águas da chuva", havia "bolores", nada de bom para a arte. Mas agora já não chove.

Mais adiante, nas salas construídas em 1983 para a XVII Exposição Europeia de Arte Ciência e Cultura, em Lisboa, continuam a uso, quase 40 anos. São vitrines "que não são estanques" e que, para serem limpas, implicam uma operação muito complicada. É uma de várias obras que vai haver no MNAA, em breve, graças ao dinheiro do Plano de Recuperação e Resiliência.

Mas o que mais preocupa Joaquim Caetano é a falta de pessoal. O último concurso para técnicos superiores para os museus públicos portugueses aconteceu há quase três décadas e isso pode fazer com que o museu volte "não é ao século passado, é um bocadinho mais atrás". A frase foi dita pelo diretor do MNAA no Parlamento, perante os deputados, em outubro, e traduz as consequências da falta de renovação de pessoal, nomeadamente, ao nível dos responsáveis pelas coleções.

À TSF, o diretor de um dos maiores e mais importantes museus do país explica que "um conservador que trabalha há 20 ou 30 anos numa coleção vai conhecendo as obras uma a uma, tudo o que foi escrito sobre elas, o estado físico, quais as que dão problemas". Por isso, antes desse conservador sair, se reformar, "ele tenha alguém a trabalhar com ele uma boa década" para que possa haver transmissão de conhecimento. Para que possa haver memória.

Não é o que acontece há muito, nos museus portugueses. Tal como noutras instituições do Estado, também nos museus só entra um funcionário quando outro se reforma. Joaquim Caetano, diretor do MNAA, avisa que "o passado e a teia de relações" dos museus não pode perder-se.

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