"Valeu a pena." Quatro décadas de trabalho de Souto de Moura em 40 obras

Esta sexta-feira, é inaugurada a exposição: "Souto de Moura - Memórias, projetos, obras", na Casa da Arquitetura, em Matosinhos. Uma mostra que faz uma retrospetiva do trabalho de um dos mais prestigiados arquitetos portugueses.

Eduardo Souto de Moura aponta o Estádio Municipal de Braga como a obra preferida, diz que hoje tem mais dúvidas do que no passado, mas quer sempre fazer melhor. "Isto é a parte boa destes 40 anos, o resultado final é muito agradável".

"Memória, Projetos e Obras" mostra 40 trabalhos de um espólio com mais 600 maquetas e 8 mil e 500 peças, que Souto de Moura cedeu à Casa da Arquitetura. Quarenta projetos, uma retrospetiva de quatro décadas de trabalho. "Gosto de fazer estas exposições, porque são como que um ponto de obra, é como fazer uma ata de uma reunião e o resumo do que se passou. Portanto, esta exposição é como que uma ata destes 40 anos. Valeu a pena!".

Entre o desenho, a maqueta e a fotografia do trabalho final, a exposição começa pela obra mais recente: a central Hidráulica da Barragem da Foz do Tua e termina na mais antiga: uma casa em Leça da Palmeira, desenhada em 1979. O olhar cruza-se entre estes dois trabalhos. "Isto ajudou a refletir e a pensar, por exemplo confirma-se que faço sempre o mesmo projeto. Não foi por acaso que o primeiro e o último têm um a ver com o outro, são os dois em pedra. A pedra é o meu material preferido para construir e acho que vai ser o material do futuro", afirma o arquiteto.

Na nave da Casa com 950 metros quadrados, vemos habitações, hotéis, a marginal de Matosinhos, Igrejas, conventos, crematórios, a Casa das Artes, o Pavilhão Multiusos em Viana do Castelo e a Casa das Histórias de Paula Rego, entre outras. Habituado a polémicas, Souto de Moura estranha a unanimidade à volta deste último projeto. "Acho que toda a gente gosta, foi muito bem recebida pela câmara e pelo próprio cliente. Fiz esta casa e tive três reuniões com a Paula Rego. É o cliente ideal: inteligente e sintética".

Um pouco à frente, está a obra preferida de Souto de Moura: o Estádio Municipal de Braga, que também é a que o faz sofrer mais. "Esta é a obra que eu mais gosto e está a ser amaldiçoada. Tive esta oportunidade de desenhar todo o território. É ambição dos arquitetos ir desde o puxador até quilómetros de desenho."

O trabalho para o Metro do Porto também está entre os favoritos. "Sinto-me muito útil, o que desenhei é usado por muita gente, numa escada do metro, o corrimão é tocado por meio milhão de mãos por dia, portanto, é agradável quando uma pessoa desenha uma coisa e pensa 'estou a ajudar muita gente a subir e a descer'".

Na visita à exposição, Souto de Moura vai dizendo que, ao longo dos anos, mudou. Passou, por exemplo, a desenhar portas e janelas nas casas e afirma que ainda gosta muito do que faz. "Há 40 anos tinha mais entusiasmo, hoje tenho mais dúvidas. Há 40 anos era mais atrevido, era mais radical e inocente. Hoje em dia tenho mais dificuldades a fazer as coisas, ou é porque há mais informação ou porque tenho mais medo. Se me repito, é porque estou a aperfeiçoar, e o caminho é esse sempre".

A exposição "Memória, Projetos e Obras" continua na Galeria da Casa, onde podemos ver projetos nos quais o arquiteto está a trabalhar neste momento, como a Estação de São Bento ou uma casa para a família.

Souto de Moura garante que pretende passar por aqui aos "sábados de manhã", e até levar alguns clientes a verem as maquetas dos projetos.

A exposição "Souto de Moura: Memória, Projetos, Obras", tem como curadores Francesco Dal Co e Nuno Graça Moura, é inaugurada sexta-feira dia 18 de outubro e pode ser visitada até setembro de 2002. Já este fim de semana há uma visita guiada à exposição pelos curadores e uma conversa que conta com a participação de Souto de Moura.

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