Visões do Império

A lupa de Joana Pontes amplia o olhar sobre as fotografias do Império colonial. Depois das cartas da Guerra, o filme estreado no DOC Lisboa há um ano, chega hoje às salas de cinema, com outros sinais de vida. O poder das imagens faz bater os sentidos da história. "Como olhar para estas fotografias?" é a pergunta que fica no ar, pendurada na voz da própria realizadora.

Nascida em Luanda, Joana Pontes começa por abrir o seu álbum de família, fazendo luz sobre o passado colonial. A câmara move-se lenta, enquanto a voz off situa o espaço e o tempo das fotografias. É a voz de Joana Pontes que nos guia o olhar e que nos faz seguir o rasto das imagens.

Os investigadores Miguel Bandeira Jerónimo e Filipa Lawdes Vicente, coautores de Visões do Império, são outras das vozes que desvendam a história das fotografias. Às vezes é preciso ler o verso para escutar o que é dito em cada uma delas, outras falam sozinhas, mas é preciso mergulhar nos arquivos para poder contar como foi. Uma viagem de luz e de dor, confessa a realizadora: "Os arquivos não têm o dinheiro que precisam para ter os seus recursos, quer financeiros, quer pessoas para trabalhar. Sem arquivos não vamos conseguir pensar o passado e seguir em frente, não vamos conseguir. E se não fossem as extraordinárias pessoas que lá trabalham, isto já tinha colapsado." Sem arquivos não há memória coletiva.

E, no entanto, é no chão da Feira da Ladra, ou nos alfarrabistas ao redor, que podemos encontrar outras memórias da história colonial.

Em todos os casos, Joana Pontes lembra "as fotografias não são neutras, nem são a preto e branco".

O filme Visões do Império dá ainda nome à exposição que pode ser visitada no Padrão dos Descobrimentos. E até ao final do ano está prevista a edição de um livro catálogo.

Este sábado, depois das 19h00, pode ouvir na TSF a entrevista, na íntegra, à realizadora Joana Pontes.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de