Cartão de militante
democracia

Vozes ao Alto: cem histórias na história do Partido Comunista Português

Vozes ao alto/ Vozes ao alto/ Unidos como os dedos da mão/ Havemos de chegar ao fim da estrada/ Ao sol desta canção. A jornada deste outro colectivo está prestes a chegar ao fim. Sete autores, 14 olhos, cem objectos. Palavra e imagens no livro lançado esta sexta-feira, na Festa do Avante.

Ainda não se chamava cartão de militante, era o bilhete de identidade do Partido Comunista Portuguez. A imagem amarelecida pelo tempo é o primeiro objecto da colecção fotografada para o livro. "O mais difícil foi escolher os cem objectos", confessa Cristina Nogueira, a investigadora que tem dedicado muito do seu trabalho a revisitar a História do PCP.

E, ainda assim, o projecto que começa em Junho de 2020, foi uma descoberta. Uns são objectos banais, do quotidiano, como a caixa de fósforos que as mulheres guardavam na clandestinidade, junto aos documentos, para os destruir, se fossem visitadas pela Pide, "fui eu que fiz essa imagem", revela o fotojornalista Egídio Santos. "A caixa em primeiro plano, uma luz ténue, e alguém ao fundo, como se estivesse a queimar os documentos."

Outros simbolizam momentos como as alianças do casamento de Domingos Abrantes e Conceição Matos, o material de parto usado na clandestinidade, o carro da fuga de Caxias, um calendário perpétuo, um desenho oferecido por Catarina Eufémia, à filha. "O mais difícil foi escolher os cem objectos. Alguns nem existiam, faziam parte do nosso imaginário, mas contámos com o espólio do PCP, com o arquivo da Torre do Tombo e com a ajuda de muitos militantes." Cristina Nogueira é uma das sete autoras, com Vanessa Almeida, Isabel Nogueira, Maria Alice Samara, Adriano Miranda, Egídio Santos e Paulo Pimenta. Um pequeno colectivo que só se vai reunir na próxima sexta- feira, para a apresentação do livro, na Festa do Avante.

"Nem a fotografia é a ilustração do texto, nem o texto é a legenda da fotografia", explica Cristina Nogueira. Cada olhar, cada palavra conta aquela história, recria o poder de cada momento. Por último, a fotografia original do cartaz escolhido para celebrar o centenário do PCP, "e uma página em branco", revela ainda a investigadora, "quisemos que o leitor continue a história". Cem imagens e mais uma, a pensar na reacção de quem vai folhear o livro: "Olha que coisa tão bonita. Olha o que é isto, porque foi isso que aconteceu connosco. Ficarmos fascinados com alguns objectos bonitos, outros, que não são nada bonitos, mas são importantes para contarmos a história do partido."

Capa azul e vermelha, o livro está divido em dois períodos e pode virar-se ao contrário. Vozes ao Alto!, como no poema de José Gomes Ferreira, musicado por Fernando Lopes Graça. "Unidos como os dedos da mão", o sonho de um pequeno colectivo acaba de sair da gráfica.

* Nota do Editor: a autora não escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico

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