Zé Pedro Rock 'n' Roll: a vida de um homem bom

Chega às salas o documentário de Diogo Varela Silva sobre o guitarrista fundador dos Xutos & Pontapés. O percurso de um amante da música que, ao contrário da letra que escreveu, era único.

Tem depoimentos de quem o conheceu bem, incluindo familiares; tem lágrimas e vozes embargadas, risos e piadas, tem histórias, cumplicidades e fotos que percorrem a infância e juventude do homem que foi um dos fundadores da "maior banda de Rock 'n' Roll em Portugal", como anunciado por Pita, radialista, técnico de som, mestre de cerimónias da mítica sala do Rock Rendez Vous, aquando da gravação ao vivo a 31 de julho e 1 de agosto de 1986, de um disco que demorou vinte anos a ser editado.

"Zé Pedro Rock 'n' Roll" foi realizado por um amigo que chegou a ser sobrinho por afinidade. O músico viveu um ano ou dois em casa da família de Diogo, quando namorava com uma das filhas da fadista Celeste Rodrigues, avó do realizador.

Um filme com pérolas só possíveis de serem vistas pelo gosto do guitarrista em guardar tudo sobre a sua própria carreira, mas também sobre os concertos que viu, sobre as bandas de que gostava, sobre o planeta Rock que amava: "é incrível como guardou no bolso das calças de ganga um bilhete do festival punk que o inspirou para formar uma banda e esse bilhete chega imaculado aos nossos dias", referiu o realizador em entrevista à TSF.

O homem de quem todos gostavam (o realizador confessa a impossibilidade em encontrar alguém que fizesse uma qualquer espécie de contraditório, "não há ninguém que diga mal dele mas ele também não dizia mal de ninguém), o músico, o amigo, o Zé... estão ali. No filme de Diogo Varela Silva. Para nunca perdermos as palavras que no filme o músico nos deixa: 'uma pessoa ter sempre a noção de que é o que é e que há sempre outro muito maior e que temos que estabelecer uma corrente". Sem falsas modéstias, mas com os pés assentes na terra, afirmava: "Eu estou aqui, "este gajo é o ídolo da juventude" e não sei quantos, como tantas vezes dizem. Mas isso não é nada. Ainda bem que cheguei aqui, ainda bem que sou reconhecido pelo trabalho que tenho aqui, ainda bem que tenho a banda que tenho e que consigo viver dela. Mas isso é uma passagem de testemunho. Eu recebo como dou. Eu acho que isso é a grande função da vida". Dar e receber. Muito ganhou. Mas muito deu também. Escreveu que não era único numa das mais famosas canções do álbum Circo de Feras (1987). Não somos únicos. Mas ele era. É. Será. Para sempre.

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