A certeza da Concertação: é preciso agir, mas é mais preciso que seja a tempo

Num momento em que salvar empregos se apresenta como uma prioridade, os representantes de patrões, trabalhadores e setores económicos pedem "rapidez" na aplicação de medidas de apoio económico a empresas e famílias.

Depois de uma reunião da Concertação Social que serviu para preparar o próximo Conselho Europeu mas também para discutir as medidas de combate à Covid-19 tomadas até agora, os parceiros sociais saíram com uma ideia em comum: garantir emprego é fundamental, mas para isso é preciso agir a tempo.

Coronabonds? "Tem de haver"

O primeiro a sair da sala foi António Saraiva, da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), para pedir "rapidez" na concretização das medidas contra a "burocracia instalada", quer na União Europeia, quer em Portugal.

Assegurando que "Portugal está a fazer o possível" para resistir economicamente à Covid-19, o representante da CIP fez questão de sublinhar que "nenhum estado-membro vai sobreviver a isto sozinho".

Questionado sobre os chamados coronabonds, António Saraiva foi rápido na resposta: "Tem de haver." Mesmo que alguns países europeus não os apoiem.

Sobre o lay-off "expedito", que disse preferir chamar de "garantia de emprego no máximo possível", António Saraiva defendeu que o mecanismo deve servir "as necessidade das empresas e ser de rápida execução". Ainda sobre as férias, defendeu que os patrões devem poder "utilizar todos os expedientes e metodologias para assegurar o emprego".

Medidas "muitíssimo insuficientes" para trabalhadores

Pela CGTP, Isabel Camarinha defendeu medidas que "protejam a saúde de todos e protejam os que estão na linha da frente deste combate".

Sobre as medidas para os trabalhadores, a CGTP considera que são "muitíssimo insuficientes" e defende que as que foram tomadas para apoio às empresas também não são suficientes para "manter os postos de trabalho".

Também por isto, "os trabalhadores devem ter o seu rendimento garantido na totalidade", explicou. A líder da CGTP denunciou ainda "muitas ilegalidades" no que diz respeito aos direitos dos trabalhadores, cometidas nos últimos tempos.

Turismo tenta "manter postos de trabalho"

Na reunião da Concertação Social desta quarta-feira, a Confederação do Turismo fez chegar ao Governo as suas preocupações, em especial porque "as medidas estão a demorar muito tempo a chegar à economia".

O representante do setor, Francisco Calheiros explica que o Turismo foi o que sentiu primeiro os efeitos desta nova crise. "Estamos a tentar manter os nossos postos de trabalho", garantiu.

UGT quer coronabonds

De volta aos coronabonds, a UGT saiu desta reunião, com a compreensão de que "todos temos de assumir responsabilidades". Por isso mesmo, saudou a flexibilização das metas orçamentais e dos auxílios de Estado anunciada na semana passada, mas defende a "necessidade de se avançar para as coronabonds", tal como o Governo português defende.

No quadro do emprego, a UGT defendeu que "a manutenção dos postos de trabalho é essencial, mas também é preciso garantir um nível adequado de rendimento dos trabalhadores", lamentando a observação de que "o equilíbrio ainda não está assegurado".

"É um momento importante para garantir empregos, garantir que não há despedimentos e avançar com medidas de apoio às famílias e trabalhadores", defendeu a representante dos trabalhadores.

CCP "preocupada" com empresas e pagamentos

A Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) disse estar "preocupada" por não ver os setores incluídos nas medidas de apoio às empresas. Já sobre os lay-off, João Vieira Lopes defende que também essa medida está a "demorar" a chegar às empresas.

A CCP alerta mesmo para um cenário em que muitas empresas poderão não ter capacidade para pagar salários devido aos atrasos nas medidas. Sobre as pequenas empresas que tiveram de fechar, João Vieira Lopes lembra que os apoios devem ser "postos em prática", porque a partir de abril "as pessoas não terão rendimentos".

A banca é também alvo de críticas pelo tempo que está a levar até "resolver problemas", o que pode tirar efeito prático às medidas, encontrando as empresas "já fechadas".

Entre os vários tipos de comércio, o alimentar "é o único que está a funcionar normalmente", a par das farmácias, revela o representante do comércio e serviços.

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