"A pão e água." Restaurantes e setor turístico no Algarve estão desesperados

Restaurantes, bares, discotecas, hotéis e operadores turísticos juntaram muitas centenas de manifestantes em Faro.

Os organizadores da manifestação montaram um palanque em cima de um camião de caixa aberta e, entre palavras de ordem e muitas críticas ao Governo, um a um, os oradores foram subindo, relatando as suas dificuldades e fazendo as suas reivindicações.

Em declarações à TSF, Leonel Pereira, chef e proprietário de um restaurante em Faro, considerou que a situação já estava difícil mas, com o prolongamento do estado de emergência, vai piorar. "Só com a redução dos horários, tive uma quebra esta semana de 70% na faturação", explica.

"Não temos uma luz ao fundo do túnel, isso é que nos deixa mais preocupados." Leonel Pereira tem 22 trabalhadores no seu restaurante e afirma que, com as medidas decretadas pelo Governo, "estão à beira de ir todos para casa".

"Questionam-me todos os dias se vão continuar a trabalhar e eu não sei o que lhes responder", lamenta.

Miguel Geão, proprietário de vários bares em Faro, explica que o encerramento ao fim de semana está a deixar o setor à beira de um ataque de nervos. "Ao fim de semana, que era quando conseguíamos respirar um bocadinho, ainda pior é."

As muitas centenas de pessoas presentes na manifestação, que reuniu na baixa da cidade representantes de restaurantes, bares, discotecas, hotéis e operadores turísticos, reivindicaram a descida de 50% do IVA da restauração, a isenção da TSU, e apoios a fundo perdido. O movimento, autointitulado "A pão e água" gritou ao longo da manhã palavras de ordem como "nem apoio nem medidas, estão a acabar com as nossas vidas".

O presidente da câmara de Faro subiu também ao palanque para mostrar solidariedade, pediu capacidade de resistência ao setor, explicando que a autarquia pouco pode ajudar.

"Peçam ajuda, mas não baixem os braços", disse aos manifestantes. No entanto, o speaker dirigiu-se diretamente ao autarca: "Gostámos do seu discurso e agradecemos, mas não dá para manter postos de trabalho, porra!"

Entre apupos e alguns aplausos, Rogério Bacalhau tentou acalmar ânimos, e instou os manifestantes a fazerem ouvir as suas reivindicações junto do Governo.

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