"A temperatura nas casas não devia estar abaixo dos 20 ou 21 graus." E não é isso que acontece

A maior parte do parque habitacional em Portugal tem uma eficiência energética muito baixa e a Ordem dos Arquitetos considera que será difícil haver candidaturas de edifícios inteiros.

Muitas vezes no inverno, no interior das casas portuguesas, os termómetros não vão além dos 16 ou 17 graus, quando deviam estar muitos mais. "20, 21 graus é o mínimo para uma temperatura de conforto numa casa", defende o presidente da Ordem dos Arquitetos. Gonçalo Byrne considera que para os edifícios melhorarem a eficiência energética é necessário apostar em energias renováveis para o aquecimento.

Além de reforçar janelas, seria necessário começar primeiro por isolar paredes. E o problema de muitos edifícios começa aqui. Se às verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) é possível apresentar candidaturas individuais, na opinião da Ordem dos Arquitetos, quem habita num prédio devia entender-se para enviar enviar uma candidatura conjunta. Algo que, na opinião de Gonçalo Byrne, conhecendo como funcionam os condomínios em Portugal, não será fácil. "Dificilmente pode melhorar o isolamento das paredes se fizer a obra só no seu andar", afirma.

Mas para a obra conjunta acontecer, seria necessário as pessoas agruparem-se. "Essas ações precisavam de uma grande divulgação", defende. Gonçalo Byrne considera que essa divulgação não é feita pelo governo porque" os fundos são insuficientes e se se divulga demasiado não há dinheiro para todos".

No total há 610 milhões para melhorar a eficiência energética nos edifícios, e desses, 300 milhões são para prédios residenciais. A burocracia para apresentar uma candidatura também é muita. "O processo tem que explicar qual o tamanho do apartamento, quais as características principais, quando foi feito, se as paredes têm caixa de ar", enuncia. Por esse motivo, o presidente da Ordem dos Arquitetos teme que os dinheiros do Plano de Recuperação e Resiliência fiquem por utilizar. "Se conseguirmos que o PRR consiga ser cumprido a 100%, é um feito histórico em Portugal", conclui.

Imobiliárias garantem que maior parte dos edifícios não tem certificação energética A, B ou C

O presidente da Associação dos Profissionais e de Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) explica que os imóveis que são vendidos na sua maior parte são usados e, esses, não chegam aos níveis desejáveis de eficiência energética

."Mais de 87% dos imóveis transacionados em Portugal em 2021 eram usados, só 13% novos. Os usados estão, por norma, muito distantes das melhores notas em termos de eficiência energética, não chegam à classificação de A , B ou C", refere Paulo Caiado.

O dirigente da APEMIP explica que, apesar desta situação existir, os compradores de casas não colocam a eficiência energética como prioridade.

"Infelizmente o certificado energético ainda é encarado numa transação mobiliária como um mero procedimento administrativo", adianta. Paulo Caiado espera que a situação mude e que " as novas gerações sejam muito mais exigentes com a eficiência energética dos seus imóveis".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de