Agricultura responde à pandemia mesmo com uso de máscara no verão

Os agricultores gostaram de ouvir António Costa revelar que as colheitas não podem ser paradas sob pena de perda de todos os bens que são perecíveis. A garantia descansa a lavoura que receava ser forçada a interromper os trabalhados nos concelhos de maior risco de incidência de Covid-19.

Esta tarde, João Paulo Calçudo anda sozinho nuns campos próximos de Juromenha, ao volante de um pulverizador, a aplicar fugida nas ervilhas. Só põe a máscara no rosto para falar à reportagem da TSF, mas em breve os terrenos vão ter mais braços a trabalhar, o que significa garantir cuidados redobrados.

"Trazemos mais pessoas na plantação do tomate, brócolos ou couves. Há sempre um maior aglomerado de pessoal, entre 15 a 20 trabalhadores. Mas tentamos dividir o pessoal, para que ande o mais afastado possível, mesmo trazendo viatura própria", revela, assumindo que os empresários optaram por dar ajuda de custos para quem utilize a viatura na deslocação para o trabalho.

O planeamento anti-Covid na agricultura aponta mesmo à utilização de máscaras durante as colheitas de primavera/verão, nem que seja debaixo do calor alentejano. "Quando houver pessoas de diferentes agregados familiares que estejam a trabalhar mais próximas terão que usar máscara. Ninguém pode levar a mal, nem pensar que só acontece aos outros, porque isto toca a todos", relembra este agricultor que trabalha em várias casas agrícolas do Alto Alentejo.

Argumentos que levam os agricultores a aplaudirem a sensibilidade do Governo, depois de terem ouvido esta terça-feira António Costa admitir que não há espaço para travar os trabalhos nos campos no período das colheitas para impedir que os produtos perecíveis se possam estragar.

"Ficámos satisfeitos com isso, até porque nós temos tido tanto cuidado como a própria restauração", sublinha, dando o exemplo das medidas aplicadas no horário das refeições.

"Há pessoal que almoça do meio-dia às 13h e outro turno almoça das 13h às 14h. É para evitar mais ajuntamentos. Depois temos desinfetantes e máscaras para todos", insiste o agricultor, dando ainda o exemplo da desinfeção que é levada a cabo sempre que há troca de turnos nas máquinas agrícolas.

João Paulo Calçudo até reconhece que as campanhas de 2020 foram marcadas pelas incertezas devido à falta de experiência da lavoura em lidar com o novo coronavírus, mas sustenta que aos dias de hoje o setor está "mais preparado do que nunca" para enfrentar estes tempos de pandemia.

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