Banca insiste no "convite ao endividamento" numa altura "sensível"

Nuno Rico, especialista da DECO/Proteste, considerou, na TSF, que os bancos não aprenderam todas as lições com a crise financeira, sobretudo no crédito ao consumo. Com os juros a subir e os bancos a insistirem em estratégias agressivas de venda de crédito aos clientes, o especialista em assuntos financeiros defende a necessidade de uma maior regulação e uma aposta na informação aos consumidores.

PorRita Costa
© TSF (arquivo)

As estratégias de "crédito pré-aprovado" não são novas, há anos enviavam-se cartas com "cheques" de crédito pré-aprovado, mas, com as novas tecnologias, o processo está mais facilitado. "São as mensagens através do homebanking, ou são as próprias aplicações do telemóvel em que com meia dúzia de cliques é possível aceder a um crédito pré-aprovado, isto é um convite ao endividamento", defende Nuno Rico, que lembra que, na atual situação, com a elevada inflação, os juros a aumentar e num país onde a literacia financeira é baixa, o risco para os consumidores aumenta.

"A tentação de aderir a um crédito pré-aprovado poderá causar muitas dificuldades às famílias", avisa o especialista da DECO/Proteste, que defende, por isso, a necessidade de aumentar a regulação e apostar na informação aos consumidores.

Ouça as declarações de Nuno Rico à TSF

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Nuno Rico revela que as estratégias da banca são variadas, desde a oferta de cartões de crédito, à oferta da possibilidade de o cliente fazer um determinado pagamento no homebanking com recurso a crédito e concluiu: "há todo um aliciamento da banca e isto é muito perigoso porque, muitas vezes, é através desta forma que estamos a contribuir para o sobre-endividamento".

Para o especialista em assuntos financeiros, os bancos não aprenderam todas as lições que deviam ter aprendido com a crise financeira. "Na última crise financeira houve atitudes por parte da banca que não foram muito corretas e que levaram, ou pelo menos contribuíram para a situação que as famílias viveram. Do ponto de vista do crédito habitação, parece que houve lições que foram aprendidas, houve um conjunto de novas normas por parte do regulador que reforçaram a avaliação do risco do cliente, mas no caso do crédito ao consumo isso não acontece."

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