Choque das taxas de juro deverá atingir famílias e empresas no 1.º semestre de 2023

Economistas admitem que "as poupanças obtidas durante a pandemia podem ajudar a compensar parte dos efeitos que a escalada dos juros vão ter no orçamento das famílias da área do euro".

PorLusa/TSF
© Andy Rain/EPA

O choque das taxas de juro deverá atingir famílias e empresas no primeiro semestre de 2023, com a taxa de juro de referência na zona Euro a chegar ao pico até março, prevê a Allianz Trade, acionista da COSEC.

"Para as famílias, incluindo as portuguesas, o choque das taxas de juro deverá estar a aproximar-se, podendo mesmo materializar-se no próximo ano", avançam os especialistas da empresa de seguro de créditos no estudo 'Europe: How big will the interest rate shock be in 2023?', hoje divulgado.

Estimando que "o pico da taxa de juro de referência na Zona Euro seja alcançado no primeiro trimestre de 2023", a Allianz Trade prevê que "o período médio de passagem da taxa de juro de referência para as taxas bancárias, no caso de Portugal, deva ocorrer no segundo trimestre de 2023, à semelhança das projeções para Espanha e Itália".

Já no caso da economia alemã e francesa, "as previsões apontam que esta transmissão só deverá acontecer no terceiro trimestre do próximo ano".

Segundo os especialistas da Allianz Trade, após já terem apertado os critérios de concessão de crédito a famílias e empresas no terceiro trimestre deste ano, os bancos no bloco da moeda única deverão intensificar ainda mais esta política no quarto trimestre, "o que terá efeitos sobre as famílias e empresas nos próximos meses".

E embora o aumento das taxas de juro deva levar as famílias a perder poder de compra, os economistas da acionista da COSEC admitem que "as poupanças obtidas durante a pandemia podem ajudar a compensar parte dos efeitos que a escalada dos juros vão ter no orçamento das famílias da área do euro".

"Num contexto de subida das taxas de juro e de agravamento das perspetivas económicas, a dinâmica favorável de crédito na Zona Euro não deverá durar muito mais tempo. Como mostram os dados do BCE [Banco Central Europeu], depois de um ano de estabilização dos padrões de empréstimo, os bancos tornaram-se significativamente mais avessos ao risco. É possível que os padrões de crédito se tornem mais restritivos à medida que os bancos diminuem a sua tolerância ao risco", afirma a 'head of Economic Research' da Allianz Trade, Ana Boata, citada num comunicado.

Relativamente às empresas, a Allianz Trade estima que enfrentem uma subida das taxas de juro também no primeiro semestre do próximo ano.

Prevendo que a dívida das empresas não financeiras irá "escalar para novos recordes em termos absolutos" e que estas enfrentarão "um aperto global das condições financeiras", a acionista da Cosec refere que "estes dois efeitos deverão intensificar as despesas com juros e aumentar os custos das empresas".

"A continuação da subida das taxas de juro de referência vai aumentar os juros que as empresas pagam para se financiar, levando a uma diminuição das margens de lucro. Entre as principais economias do euro, a Itália, Espanha e França são os países em maior risco de enfrentarem este cenário", detalha.

Reclamando a liderança em Portugal no ramo do seguro de créditos, a Cosec é uma empresa de capitais privados, repartidos equitativamente pelo banco BPI e pelo grupo global de seguro de créditos Allianz Trade (marca registada utilizada para designar a gama de serviços prestados pela Euler Hermes).

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