Associações de táxis fazem balanço negativo do processo de descarbonização

Representantes dos táxis consideram medida ineficaz.

As associações representativas dos táxis fazem um balanço negativo da linha de crédito lançada há dois anos pelo Governo para a descarbonização do setor. A adesão do setor dos táxis aos carros elétricos é muito baixa, revela Florêncio Almeida, presidente da ANTRAL, porque o apoio do Governo para a descarbonização do setor é insuficiente.

"Isto é um apoio muito diminuto e o Governo devia apoiar muito mais do que aquilo que apoia porque não é um montante que o Governo está a disponibilizar para comprar um carro menos poluente que vai ter algum sucesso. Aquele apoio que nos dão não justifica as horas que temos de estar parados para carregar uma viatura e também não tem autonomia suficiente para que o táxi se possa desenvolver. Se estou a trabalhar aqui em Lisboa, por exemplo, e me aparece um serviço para Setúbal ou Alcácer do Sal não posso ir porque a carga já está a menos de metade, tenho de deixar o cliente a meio do caminho", explicou à TSF Florêncio Almeida.

Também Carlos Ramos, da Federação Portuguesa do Táxi, considera a medida ineficaz.

"Ouvimos praticamente todos os dias que o Governo está muito interessado em descarbonizar e melhorar o ambiente. O Estado podia aproveitar a vontade que as associações têm - penso que não estou a falar só pela Federação, as outras associações estão disponíveis - para encontrar as melhores soluções e não percebo porque é que não se aproveitam as vontades que existem", afirmou Carlos Ramos.

O responsável defende que, em vez de uma medida avulsa, seja estudado um plano de médio prazo para a descarbonização e considera incompreensível que o Governo não aproveite a disponibilidade das associações do setor do táxi para um diálogo nesse sentido.

"Penso que não está a dar resultado nenhum, é uma medida desgarrada, que nem sempre sai de forma a criar algum hábito junto do setor e não se ajusta ao setor porque não há um planeamento, que deveria existir para a substituição da frota. Não existe e, por isso, não tem o efeito que se pretendia. Se me perguntar quantos carros, este ano, aderiram ao aviso, digo-lhe que dez ou 12 carros é muito", acrescentou o responsável da Federação Portuguesa do Táxi.

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