Aumentar salários implica aumentar produtividade? "Economia é mais do que isso"

O antigo sindicalista Manuel Carvalho da Silva salienta que, apesar de ganharem pouco, os portugueses produzem muito, e isso não depende dos ordenados.

Pedro Braz Teixeira, economista e diretor do gabinete de estudos do Fórum para a Competitividade, considera que que o salário mínimo deve aumentar apenas se for possível uma subida na produtividade das empresas e caso o desemprego não cresça.

"Se de facto o desemprego começar a subir, é um sinal de alerta, e deve interromper-se as subidas extraordinárias do salário", avisa o economista.

Ouvido no Fórum TSF, o diretor do gabinete de estudos do Fórum para a Competitividade defende que, para suportar as subidas faseadas até 2023, "é preciso estabelecer medidas para aumentar a produtividade".

Pedro Braz Teixeira considera que o que é feito atualmente não basta para permitir que sejam cumpridas as promessas de António Costa: "Temos uma das mais baixas produtividades da Europa, e os países de leste têm conseguido num ano o que nós conseguimos em quatro. Estamos a ficar para trás."

O antigo sindicalista Manuel Carvalho da Silva não concorda, e salienta que, apesar de ganharem pouco, os portugueses produzem muito, e isso não depende dos ordenados.

"A questão da produtividade é outra. A questão da produtividade não é trabalharmos apenas mais horas e produzirmos mais; é o tipo de produtos que temos, a especialização da economia, o tipo de gestão. Temos de acabar com esta crença de que em Portugal não temos trabalhadores produtivos."

Para Manuel Carvalho da Silva, o país tem "trabalhadores muito produtivos". "O que não temos é as condições nem o tipo de produtos ou a gestão que seria necessária", frisa o sindicalista, que acredita que atingir os 750 euros em quatro anos é insuficientes.

"Precisamos de uma significativa melhoria do salário mínimo, que vai para além destes 750 euros em quatro anos", alega. "Nós precisamos agora de uma atitude muito mais ofensiva para que o salário mínimo cumpra a sua função, não apenas social, mas também de instrumento de políticas económicas e numa perspetiva em que não se olhe a economia apenas como negócios."

Manuel Carvalho da Silva critica assim o "atrofiamento da ideia da economia nos negócios, quando os negócios fazem parte da economia, mas a economia é muito mais do que isso".

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