Autarcas de Bragança consideram Plano de Recuperação e Resiliência "uma mão cheia de nada"

Autarcas criticam a falta de investimentos na ferrovia e na rede rodoviária, como é o exemplo da ligação do IC5 de Miranda do Douro a Espanha, um dos projetos assumidos como prioritários e acordados entre Portugal e Espanha, durante a última Cimeira Ibérica.

A Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes (CIM-TTM) tece duras críticas ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) que está agora em consulta pública.

Os nove autarcas do distrito de Bragança (Mirandela, Macedo de Cavaleiros, Mogadouro, Vimioso, Vila Flor, Alfândega da Fé, Miranda do Douro, Vinhais e Bragança) estão indignados pelo facto de o plano não incluir investimentos já há algum tempo prometidos e outros até já assumidos como prioritários e acordados entre os Governos de Portugal e Espanha.

Por isso, entendem que o PRR "é um atentado à capacidade de resiliência deste território do interior do país, uma mão cheia de nada para a região. Quando há verbas e projetos, não vemos atitude política para investir aqui", refere o presidente da CIM-TTM.

Artur Nunes não consegue entender como é possível que um programa que aponta para um enorme investimento na transição digital deixe de lado uma região com enormes carências, recentemente evidenciadas pelas dificuldades no acesso ao ensino à distância. "Em muitos dos nossos concelhos, não temos sequer acesso nem a 3G nem a 4G e o 5G não o vamos ver porque não está previsto", lamenta.

Artur Nunes contesta a falta de investimentos na ferrovia e na rede rodoviária, como é o exemplo da ligação do IC5 de Miranda do Douro a Espanha, um dos projetos assumidos como prioritários e acordados entre Portugal e Espanha, durante a última Cimeira Ibérica, mas que não aparece no Plano.

O também autarca de Miranda do Douro dá outro exemplo. "A ligação de Vimioso a Bragança, apesar de prometida e com projeto praticamente concluído não consta, era fundamental para o transporte de doentes de Miranda do Douro e de Mogadouro para o hospital de Bragança. Não a fazendo, estamos a limitar o acesso à saúde, porque as ambulâncias vão continuar a ir por Espanha", diz Artur Nunes, para quem o PRR "é um paliativo para esta região, condenando-a a uma morte lenta e dolorosa".

De todos os investimentos reivindicados pela CIM, apenas dois são contemplados no plano: a ligação Vinhais-Bragança e de Bragança à Puebla de Sanábria.

Para além das ligações rodoviárias, do estudo e investimento na ferrovia, em causa estão também o Aeroporto Regional de Trás-os-Montes, a ligação Macedo-Vinhais-Gudiña, a revitalização do complexo agroindustrial do Cachão, o investimento no regadio, o apoio à Rede Natura, aos Parques Naturais do Douro Internacional e Montesinho, bem como aos Lagos do Sabor e Parque Regional do Vale do Tua.

Estas serão algumas das áreas a incluir na proposta a realizar no âmbito da consulta pública do PRR.

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