Bancários ponderam avançar com greve contra despedimentos "agressivos" no BCP e Santander

O BCP teve lucros de 12,3 milhões de euros no primeiro semestre e o Santander Totta 81,4 milhões de euros. Os principais bancos portugueses estão a reduzir milhares de trabalhadores este ano, sendo BCP e Santander Totta os que têm processos mais 'agressivos', incluindo com intenção de despedimentos coletivos.

Os sindicatos representativos dos trabalhadores bancários decidem nesta terça-feira se fazem greve nacional, em protesto contra os despedimentos nos bancos BCP e Santander Totta.

A decisão da greve será tomada pelos sete sindicatos representativos dos bancários: Mais Sindicato, SBN - Sindicato dos Trabalhadores do Setor Financeiro, Sindicato dos Bancários do Centro (os três afetos à UGT), SINTAF (ligado à CGTP), Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários, Sindicato de Trabalhadores das Empresas do grupo Caixa Geral de Depósitos e Sindicato Independente da Banca (os três independentes).

A reunião está marcada para as 10h30 em Lisboa.

Mário Mourão, presidente do Sindicato Dos Bancários Do Norte, pronuncia-se dizendo que se vive uma situação de grande instabilidade. "Neste momento, os próprios bancos ainda estão confusos relativamente à forma como devem desencadear este processo de rescisão unilateral", aponta, em declarações à TSF.

Os sindicatos mantêm-se à mesa das negociações, com o objetivo de cessar os despedimentos coletivos. "Continuamos a negociar. Os sindicatos continuam a sentar-se e a dialogar com os bancos, no sentido de parar o processo." Mário Mourão admite que tem havido "algumas manifestações e alguma vontade de optarem por outras vias que não o despedimento coletivo". A demonstração de vontade não se tem concretizado na prática, diz, porém.

O presidente do Sindicato Dos Bancários Do Norte lamenta que, num momento de recuperação da banca, se avance com estes processos mais radicais. "O que foi esta desgraça que o setor financeiro teve, ao longo de muitos anos, começa agora a recuperar. Os bancários deram o seu esforço, contribuíram nos balcões, foram a primeira linha da frente perante aqueles clientes que ficaram sem as suas poupanças, que se revoltaram contra as instituições." Durante anos os bancos apresentaram resultados negativos e não foram adotados processos de reestruturação "agressivos", ao contrário do que acontece agora que a banca está em "recuperação"

"Foram os trabalhadores que conseguiram inverter essa situação", enfatiza Mário Mourão, lembrando que, no setor, é fundamental a recuperação da confiança. "A confiança não se recupera com os que estão nas administrações, nos gabinetes no 18.º andar. Foram os trabalhadores."

O representante do sindicato assinala ainda que "as instituições de crédito têm também de ter um papel social, na criação de emprego".

A 13 de julho, os sete sindicatos do setor bancário promoveram frente ao Parlamento uma manifestação inédita e deixaram em cima da mesa a possibilidade de uma greve nacional.

Depois de tanto BCP como Santander Totta terem indicado que vão mesmo avançar com despedimentos, nesta terça-feira a greve será novamente tema de debate e, segundo informações recolhidas pela Lusa, há vários sindicatos favoráveis.

Os principais bancos portugueses estão a reduzir milhares de trabalhadores este ano (depois de o setor bancário ter cortado 15 mil postos de trabalho entre 2009 e 2020), sendo BCP e Santander Totta os que têm processos mais 'agressivos', incluindo com intenção de despedimentos coletivos.

O BCP anunciou, há duas semanas, que vai avançar para o despedimento de até 100 trabalhadores, depois de ter chegado a acordo com 800 funcionários para saídas por acordo (reformas antecipadas e rescisões por mútuo acordo).

Já o Santander disse numa nota interna, a 20 de agosto, que não chegou a acordo para a saída de 350 trabalhadores, de um total de 685 inicialmente previstos, e vai agora avançar com um "processo unilateral e formal" a partir de setembro.

Os sindicatos têm acusado os bancos de repressão laboral e de chantagem para com os trabalhadores, considerando que os estão a forçar a aceitar sair por rescisão ou por reforma antecipada. Isto ao mesmo tempo que os bancos têm elevados lucros, acrescentam.

O BCP teve lucros de 12,3 milhões de euros no primeiro semestre (menos 84% do que no mesmo período de 2020) e o Santander Totta 81,4 milhões de euros (menos 52,9%).

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