Banco de Portugal revê em alta previsão da inflação no final do ano para 7,8%

As projeções para o PIB e para a inflação em 2022 são revistas em alta face ao Boletim Económico de junho.

O "Boletim Económico" de outubro, publicado esta quinta-feira, mostra uma diferença de mais 1,9 pontos percentuais para a estimativa da inflação no final deste ano de 2022.

"Em 2022, a inflação aumenta para 7,8%, refletindo as crescentes pressões externas sobre os preços", admite o Banco de Portugal (BdP) na edição de outubro do "Boletim Económico". O BdP lembra que "este é o valor mais elevado desde 1993".

O valor apresentado agora é superior aos 5,9% apresentado pelo Banco Central em junho deste ano e está acima da estimativa de setembro do Conselho das Finanças Públicas (7,7%).

De acordo com a instituição liderada por Mário Centeno, só a parte da inflação dedicada aos bens energéticos representa uma subida de 24,5%.

O BdP justifica esta subida da inflação devido à "suspensão pela Rússia do fornecimento de gás à Europa no início de setembro" que "tem impacto negativo sobre a atividade na área do euro e a procura externa dirigida à economia portuguesa".

Por outro lado, "a subida dos preços de importação de matérias-primas energéticas e de bens alimentares traduz-se numa perda de termos de troca que conduz a uma transferência de rendimento real das economias importadoras para os países exportadores".

Ainda sobre a inflação, "a forte procura dos bens e serviços, cujo consumo foi condicionado durante a pandemia, também contribui para a trajetória ascendente da inflação, esperando-se uma inflexão no final do ano".

Mas o BdP deixa um aviso: "A incerteza em torno desta projeção é elevada. A possibilidade de impactos económicos mais adversos associados à invasão da Ucrânia é a principal fonte de incerteza."

Em particular, "necessidades de racionamento de energia e cortes de produção superiores ao implícito no cenário central, nomeadamente devido a um inverno mais rigoroso do que o habitual na Europa, aumentam a probabilidade de uma evolução mais fraca da atividade em Portugal no final do ano", conclui.

Quanto ao Produto Interno Bruto (PIB), "a economia portuguesa cresce 6,7% em 2022, continuando a beneficiar da recuperação do turismo e do consumo privado".

Mas "o investimento abranda, crescendo 0,8%, num ambiente de restrições de oferta, aumento dos custos de produção, agravamento das condições de financiamento, baixa execução dos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e elevada incerteza".

Assim, "num enquadramento externo e financeiro mais desfavorável, é urgente acelerar a prossecução das reformas no âmbito do PRR e promover uma utilização efetiva e eficaz dos respetivos fundos, para sustentar o crescimento económico no curto e médio prazo", sugere o BdP.

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