BCP nega conversas com Governo sobre fusão com Montepio. Mas não descarta hipótese

O presidente do Millennium BCP assume que, se houver operações com o Montepio "que se justifiquem", serão analisadas.

O Millennium BCP desmente contactos com o Ministério das Finanças para a compra do Banco Montepio. O presidente do banco, Miguel Maya, admitiu, no entanto, esta segunda-feira, que o negócio pode ser interessante para o Millennium.

"Como gestor, tenho obrigação de olhar para todas as operações que possam ser colocadas em mercado e hoje temos os reguladores, ao nível do Banco Central Europeu e muito também o discurso político, a falar da concentração bancária - e também já estamos a ver concentração bancária em Espanha", constatou o líder do BCP.

"Não estabelecemos nenhuns contactos com com o Ministério das Finanças sobre o tema do Montepio, zero, nem estamos a analisar nenhuma operação", esclareceu Miguel Maya. "Nós estamos tranquilos com a nossa estratégia. Agora, se vier a haver operações que justifiquem que o banco as analise com rigor, assim faremos", adiantou.

À margem da cimeira do Turismo, Miguel Maya defendeu ainda a decisão aprovada pelo Governo, na última semana, que estende as moratórias dos créditos.

"É nossa obrigação tentar encontrar todo o apoio possível para que a capacidade das empresas não se perca. Isto é particularmente importante num país como Portugal, em que a possibilidade de usar apoios públicos está condicionada pelo próprio nível de dívida do país. Nós achamos que, neste momento, não há nenhum problema, que está toda a gente confortável com os níveis de dívida... O que nós sabemos é que, mal passa a tormenta, começam logo a olhar para o nível de dívida com uma perspetiva completamente diferente", comentou o presidente do Millennium BCP. "Não temos que ter vergonha de ter em Portugal mecanismos mais generosos em matéria de moratórias. O BCP vê com muito agrado a extensão das moratórias", acrescentou.

Confrontado também pelos jornalistas com a sugestão do presidente da Associação Portuguesa de Bancos para a criação de um sindicato bancário de apoio extra ao Novo Banco, Miguel Maya não rejeita à partida a ideia. Tudo depende das condições.

"É um tema que deve ser analisado com o máximo cuidado e rigor. Nós não temos nenhuma decisão sobre essa matéria, o que temos vindo a dizer é que o modelo de contribuições não é sustentável e cria desvantagens competitivas para os bancos que criam emprego e prosperidade em Portugal. Tem de ser alterado", atirou Miguel Maya. "Se houver disponibilidade para encontrarmos um outro modelo, se calhar o BCP também pode equacionar estar disponível para esse financiamento."

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