Bruxelas agrava previsões para Portugal e antecipa contração do PIB nos 9,8%

A Comissão Europeia conclui que a atividade económica em Portugal sofreu uma inversão acentuada desde março, principalmente no setor do turismo.

Bruxelas prevê agora uma contração do PIB a rondar os 10%; 9,8, mais concretamente. O que representa um agravamento significativo em relação às previsões anteriores, de há dois meses, quando a Comissão acreditava que a contração se situaria nos 6,8.

Bruxelas conclui que a atividade económica em Portugal sofreu uma inversão acentuada desde março, principalmente no setor do turismo. No segundo trimestre, o PIB caiu 3,8% em relação ao trimestre anterior e 2,3% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.

Ao longo deste ano o desempenho económico deverá deteriorar-se a um ritmo acentuado de cerca de 14% (trimestre a trimestre), refletindo aquilo que Bruxelas designa como "contrações dramáticas na maioria dos indicadores económicos".

O turismo é sem surpresa o setor mais afetado, com uma quebra próxima dos 100%, em abril.

O indicador do sentimento económico da Comissão também caiu abruptamente "de 105,7 pontos em fevereiro para 63,0 pontos em maio, antes de uma recuperação parcial, para 74,1 pontos em junho".

A Comissão Europeia salienta que, por outro lado, e como um elemento positivo, o desemprego permaneceu amplamente estável, entre os 6,2 a 6,3% em março e abril, devido ao impacto importante das medidas de desemprego temporário e o programa de apoio ao Lay-Off.

Com o alívio das medidas de confinamento, a atividade económica está a aumentar lentamente. Mas para muitas empresas, como companhias aéreas e os hotéis, as estimativas são muito abaixo do nível pré-pandemia, e assim deverá manter-se "por um período mais longo".

Daí o impacto importante, da ordem dos 10%, no PIB, que deverá recuperar já no próximo ano. De acordo com estas previsões intercalares de verão espera-se que em 2021 a economia portuguesa possa crescer 6 por cento em relação a este ano de 2020.

Bruxelas nota ainda que o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor caiu abaixo de zero, refletindo uma queda significativa nos preços da energia, que, de acordo com esta previsões, compensou o aumento dos preços dos alimentos.

Apesar de a crise ter criado uma combinação de choques de oferta e demanda com efeitos opostos sobre os preços, projeta-se que as pressões descendentes devido à fraca procura agregada prevaleçam.

"Consequentemente, prevê-se que a inflação global permaneça moderada em 2020 e aumente gradualmente em 2021, em linha com a recuperação económica esperada", prevê a Comissão Europeia.

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