Bruxelas pondera fim das moedas de 1 e 2 cêntimos e arredondamentos uniformes

Comissão Europeia promete estudar possibilidade de impor uniformização de arredondamentos de preços para múltiplos de 5 cêntimos. Medida pode levar ao fim das duas moedas de menor valor.

Bruxelas vai analisar a possibilidade de uniformizar arredondamentos de preços na Zona Euro. A hipótese é avançada no programa de trabalho da Comissão Europeia (CE) para 2020, onde consta a intenção de "avaliar a utilização das moedas de 1 e 2 cêntimos e a possibilidade de introduzir regras de arredondamento comuns". A noticia foi avançada na terça-feira pela imprensa alemã, que teve acesso ao documento entretanto publicado.

O arredondamento para "números redondos" - por exemplo, múltiplos de 5 cêntimos - levaria ao fim das duas denominações menos valiosas, que perderiam a utilidade.

Num estudo realizado em 2018 , a CE escrevia que "a utilidade das duas denominações mais pequenas foi matéria de debate desde sempre", e que "os principais aspetos dessa discussão são os custos elevados de produção destas moedas comparados com o valor facial, a elevada taxa de perdas e a continuada redução do poder de compra das duas denominações".

Nesse relatório, entregue pela CE ao Parlamento Europeu e Conselho Europeu, Bruxelas ponderava vários cenários, que iam "desde a permanência das moedas, até retirá-las de circulação de forma abrupta, introduzindo regras de arredondamento", passando ainda por uma hipótese de retirada faseada dos metais, que continuariam válidos, deixando apenas de ser produzidos.

Bruxelas sublinha que embora as moedas pequenas possam ser usadas pelos consumidores para fazer pagamentos, na verdade na maioria dos casos elas apenas "são dadas como troco", ou seja, que os cidadãos europeus "recebem mais moedas de um e dois cêntimos do que aquelas que recebem"

"Uma possibilidade", lê-se no relatório, "´arredondar para o múltiplo de cinco cêntimos mais próximo". Uma "compra de 3,58 ou de 3,62 euros seria arredondada para 3,60", enquanto uma transação de "3,63 ou ou 3,67 euros seria arredondada para 3,65 euros". A Comissão reconhece que "este método implica um ganho ou perda de até 2 cêntimos por compra", mas enfatiza que "esses ganhos ou perdas se anulariam no longo prazo".

Os peritos lembram que já há países que seguem esta abordagem: "na Finlândia as transações são arredondadas para múltiplos de cinco cêntimos desde 2002; em 2004 foi a vez de os Países Baixos adotarem a mesma prática". Em 2014 a Bélgica permitiu arredondamentos voluntários, com a Irlanda a seguir o mesmo caminho em 2015. Itália deixou de emitir moedas de 1 e 2 cêntimos e aprovou uma lei no mesmo sentido".

A discrepância na forma como estas moedas são tratadas em cada país leva a que "alguns Estados-membro troquem moedas" de diferentes denominações entre si.

Bruxelas está ainda convencida que o fim das moedas de um e dois cêntimos não levaria a um aumento generalizado dos preços, justificando a convicção com a experiência dos países que já o fizeram, onde não houve impacto na inflação, com a concorrência, que pode mesmo levar a mais arredondamentos para baixo, e com o facto de o arredondamento não ter influência no cálculo da inflação, dado que as estatísticas continuariam a ser construídas com base nos preços reais (não arredondados).

A Comissão admite que o arredondamento pode levar a fenómenos pontuais de aumento de preços, se vários retalhistas arredondarem para cima muitos bens em simultâneo, mas confia que a concorrência vai limitar ou anular esse fenómeno, sendo mesmo possível que leve a mais arredondamentos para baixo.

Em discussões posteriores à apresentação deste estudo, "uma maioria dos Estados-membro foi favorável à continuação das moedas, enquanto se analisavam formas de reduzir os custos de produção sem alterar a aparência das moedas".

No âmbito da análise, a CE levou a cabo um estudo de opinião que mostra que a maioria da população é favorável à abolição destas moedas.

A Comissão lembrava que desde a introdução das notas e moedas de euro em 2002, os Estados-membro já emitiram cerca de 127 mil milhões de moedas num total de 28 mil milhões de euros, e que desde então as oito denominações (de 1 cêntimo a 2 euros) não sofreram alterações.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de