Bruxelas revê em baixa perspetiva de crescimento da economia portuguesa

A Comissão Europeia prevê um crescimento de 3,9% e um défice de 4,7% neste ano. Níveis pré-pandemia só em 2022.

Bruxelas estima que a economia portuguesa "deverá crescer novamente a partir do segundo trimestre de 2021", considerando o "levantamento gradual" das medidas para conter a pandemia, mas está agora menos otimista relativamente à estimativa de fevereiro.

No início deste ano, Bruxelas estimava que a economia crescesse 4,1% em 2021, mas no boletim macroeconómico da primavera, a Comissão Europeia aponta para um crescimento de 3,9%, apesar de já ter em conta o impacto das medidas do Plano de Recuperação e Resiliência na economia. A Comissão admite, porém, que "em meados de 2022" já tenha sido possível "atingir os níveis pré-pandemia".

"A recuperação económica e a redução das medidas de apoio" deverão ter um impacto na diminuição da dívida pública. Depois do "máximo histórico" atingido em 2020, as finanças públicas "deverão melhorar gradualmente em 2021 e 2022", calculam os especialista da Comissão Europeia.

Bruxelas faz as contas ao impacto económico do confinamento no início do ano, e calcula que as medidas para conter a vaga de Covid-19, que se seguiu às festividades do Natal, tiveram um impacto de 3,3% do PIB, no primeiro trimestre do ano. Ainda assim, um impacto "muito menor do que o registado de março a junho" do ano passado, quando foi decretado o primeiro confinamento.

"As empresas e os consumidores adaptaram-se, até certo ponto, às restrições, ajudados por uma nova onda de apoio estatal", para a proteção do emprego e do rendimento", refere a Comissão, salientando que do lado da indústria "as cadeias de abastecimento (...) também permaneceram amplamente resilientes durante o novo bloqueio".

PIB e Turismo

Mas o revés foi, "uma vez mais", para o setor do turismo, sendo "o mais afetado", embora, o "impacto negativo tenha sido limitado", quando comparado com o ano de 2020.

"Com o relaxamento gradual das restrições à mobilidade, a economia deverá recuperar no segundo trimestre de 2021 e acelerar ainda mais no terceiro trimestre", afirmam os especialistas, apontando para um crescimento do PIB de "3,9% em 2021 e 5,1% em 2022".

"Após a contração económica de 7,6% em 2020, as projeções atuais sugerem que o PIB deve atingir o nível pré-pandémico em meados de 2022", lê-se no boletim macroeconómico da primavera, elaborado pela Comissão Europeia.

O verão já deverá ser animado para o setor do turismo, "presumindo-se que a recuperação (...) ganhe velocidade no terceiro trimestre de 2021, mas não se espera que o setor tenha atingido o seu nível pré-pandémico até o final do período de previsão". Ou seja, no caso do turismo, que foi um impulsionador da economia portuguesa depois do período de ajustamento, Bruxelas considera que os fatores de risco "permanecem inclinados para o lado negativo devido à alta dependência de Portugal no turismo estrangeiro, onde a incerteza sobre o caminho da recuperação permanece alta".

No setor externo, projeta-se que tanto as exportações quanto as importações aumentem a taxas elevadas durante o período de previsão, principalmente devido aos efeitos de base da indústria de viagens. O setor externo deverá ter uma contribuição positiva para o crescimento do PIB em 2021 e 2022. O saldo da conta corrente também deve melhorar, mas permanecerá ligeiramente negativo, uma vez que a entrada líquida de receitas de viagens deverá permanecer abaixo de seu nível pré-pandemia .

Emprego

O mercado de trabalho "permanece resiliente". A taxa de desemprego aumentou, embora "moderadamente de 6,5% em 2019 para 6,9% em 2020". O apoio do Estado ao mercado de trabalho mostrou-se "amplamente eficaz na proteção de empregos e do rendimento", conclui a Comissão, e o confinamento do início do ano "teve um impacto bastante limitado no fluxo de novos candidatos inscritos" nos centro de emprego.

"Já o total de horas de laboração apresentou uma redução mais significativa de 9,2%. Isso pode ser atribuído à acumulação de mão-de-obra, que foi muito significativo durante o período inicial da pandemia", refere a Comissão, considerando que "à medida que a economia recupera, as taxas de desemprego e de emprego devem regressar aos níveis anteriores à pandemia em 2022".

Consumo

Os preços no consumidor diminuíram 0,1% em 2020, "principalmente devido à queda acentuada dos preços da energia", aponta o boletim, considerando que "os preços dos bens e serviços industriais também contribuíram para a queda". Por outro lado, "os preços dos alimentos, especialmente os dos produtos agrícolas não processados, aumentaram".

A inflação "aumentou para 0,2% no primeiro trimestre de 2021 e deverá aumentar ainda mais para 0,9% em 2021 e 1,1% em 2022", refletindo a "recuperação dos preços do petróleo bruto no início de 2021 e o aumento gradual dos preços dos serviços esperado depois".

Covid e Novo Banco

As contas públicas sofreram um "impacto visível" com a crise da Covid-19, atingindo um défice de 5,7% do PIB em 2020. "O pacote de medidas de mitigação da crise, com um custo orçamental direto estimado em cerca de 3% de PIB, foi o maior impulsionador desta deterioração", refere a Comissão Europeia.

Acrescentou-se ainda "a queda da receita tributária", além de "medidas pontuais em 2020, nomeadamente a terceira ativação do mecanismo de capital contingente do Novo Banco (0,5% do PIB)", frisa a comissão, considerando que sem "todas as medidas pontuais, o deficit teria sido de 5% do PIB em 2020".

"O deficit deve diminuir para 4,7% do PIB em 2021, devido à recuperação gradual da economia", prevendo-se que "a melhoria das finanças públicas ganhe ímpeto em 2022, com a eliminação progressiva do apoio orçamental e da recuperação económica".

As previsões, refere a Comissão, "têm em consideração os gastos no âmbito do Fundo de Recuperação e Resiliência, de acordo com o Programa de Estabilidade 2021, bem como as subvenções associadas".

Dívida

Os riscos para as perspetivas orçamentais "tendem para o lado negativo", associados à "acumulação de passivos contingentes decorrentes de garantias públicas relacionadas com a crise, que se somam aos níveis pré-pandémicos não negligenciáveis", refere o documento apresentado por Bruxelas.

O rácio da dívida em relação ao PIB "subiu para 133,6% em 2020, (...) prevendo-se que retome uma trajetória descendente dentro do horizonte de previsão, diminuindo para 127,2 em 2021 e 122%, em 2022.

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