Capitais europeias mostram a Portugal como se transformar na cidade dos 15 minutos

O conceito desenvolvido por Paris, Milão, Copenhaga, Amesterdão ou Estocolmo já conquista alguns autarcas em Portugal.

Mais espaços para circulação a pé, de bicicleta, segway ou trotinete. O conceito da cidade dos 15 minutos já percorre boa parte dos projetos em capitais como Paris, Milão, Copenhaga, Amesterdão ou Estocolmo e para os autarcas de Cascais e Lisboa, que recebem a cimeira deste ano, o momento atual representa mesmo uma oportunidade de mudança.

O autarca de Lisboa, Carlos Moedas, defende que são as cidades que podem melhorar a linguagem técnica sobre mobilidade e comunicar melhor os projetos aos munícipes, com exemplos concretos de projetos em curso na cidade, enquanto o presidente da câmara de Cascais, Carlos Carreiras, considera que a criatividade aliada à investigação e desenvolvimento é o melhor meio de se acelerar processos, assim exista vontade política a nível governativo, pois considera que a nível local e supranacional essa vontade já existe e traduzam-se em trabalho.

No domínio da mobilidade, Cascais é já exemplo de smart city seguido por outras metrópoles como Los Angeles, enquanto Paris optou por criar um plano que batizou de "ville de quart d'heures" ("a cidade de um quarto de hora"), inspirado na ativista e escritora do Canadá, Jane Jacobs, que descreve os bairros como conectores sociais na obra "Morte e vida das grandes cidades".

A capital francesa faz parte do Grupo C40, que reúne uma série de grandes cidades, numa frente internacional de combate às alterações climáticas criada em Londres, em 2005, e que junta já mais de 40 municípios em todo o mundo e no qual Barcelona é já o exemplo de capital em que apenas 15% dos quase dois milhões de habitantes recorre ao automóvel como meio de transporte e cerca de 60% já anda a pé.

A ideia de fechar algumas zonas ao trânsito está em marcha desde os anos 70 mas ganhou peso na ultima década, com o objetivo de devolver 12% do espaço verde às pessoas e melhorar a qualidade do ar e da saúde e fez nascer o projeto dos "superquarteirões", uma forma de agregar 3 por 3 blocos de prédios (300x 300 metros), criando praças e espaços verdes no centro dos bairros e obrigando o trânsito a contornar essas áreas.

Se no início houve resistência e controvérsia, hoje os negócios de rua florescem e são os catalães que pedem mais à autarquia. Assim fez saber nesta cimeira Silvia Cassarón Martos, responsável do departamento de urbanismo da capital da Catalunha, e ao contrário do que se possa pensar, os catalães estão a ver crescer a economia da cidade, ao nível do comércio e serviços, como demonstra o primeiro projeto-piloto de superquarteirão que, quando começou, em 2016, tinha 30 lojas e hoje tem mais de uma centena de espaços comerciais ao nível da rua.

Mas este é apenas um dos exemplos de transformação dos centros urbanos rumo às futuras smart cities, uma vez que existem outros projetos para conhecer, desde Milão, a Estocolmo, ou Luxemburgo e, quem sabe, também nesta edição da cimeira, Portugal Mobi Summit, descobrir porque é que no berço tecnológico norte-americano de Silicon Valley não se entendeu ainda este ou outros fenómenos de mobilidade.

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