Caso BES: PS chama Carlos Moedas à AR e pede depoimento escrito a Passos Coelho, Cavaco e Durão Barroso

O PS defende que ainda estão por explicar muitas transações que levaram a um aumento de capital do grupo Espírito Santo em 7600 milhões de euros, pelo que vão requerer o depoimento de Carlos Moedas e um documento escrito a Passos Coelho, Cavaco Silva e Durão Barroso.

O Partido Socialista entende que ainda há muito por explicar no caso BES, e vai requerer a audição de Carlos Moedas e o depoimento por escrito de Passos Coelho, Cavaco Silva e Durão Barroso.

Em declarações aos jornalistas, o deputado socialista João Paulo Correia garantiu que os agentes políticos sabiam do buraco financeiro no BES. "A audição de ontem do doutor José Honório veio dar-nos um conhecimento mais profundo daquilo que foram as reuniões que o doutor Ricardo Salgado teve em maio de 2014 com o presidente da Comissão Europeia à época, doutor Durão Barroso, e com todas as autoridades políticas nacionais, como o então Presidente da República Cavaco Silva, o então primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, a então ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque e o então secretário de Estado Adjunto Carlos Moedas", vinca.

João Paulo Correia acrescenta que, na quarta-feira, José Honório comunicou, após as reuniões, que Ricardo Salgado "entregou um memorando a cada uma destas autoridades políticas, memorando esse que dava conta de um passivo do grupo Espírito Santo de 7600 milhões de euros". Trata-se de um passivo que, nas palavras de João Paulo Correia, reflete o "buraco gigante onde estava enfiado o grupo Espírito Santo".

O deputado socialista afirmou que o Governo PSD/CDS nada fez em 2014 para evitar o aumento de capital [em 7600 milhões de euros] do BES. O aumento de capital decorreu "depois de todas as autoridades políticas europeias e nacionais conhecerem a dimensão da dívida do grupo Espírito Santo", que, de acordo com João Paulo Correia, "nada fizeram para impedir o aumento de capital que gerou milhares de lesados no nosso país".

Carlos Moedas, candidato do PSD à Câmara de Lisboa, e antigo secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, vai ser chamado presencialmente. Os antigos primeiros-ministros e presidentes da República só podem depor por escrito nas comissões de inquérito.

Na audição de quarta-feira, José Honório disse ainda ter estado em reuniões, pedidas por Ricardo Salgado, com o então vice-primeiro-ministro Paulo Portas, tendo sido realizadas antes do aumento de capital do BES.

José Honório disse não saber se os responsáveis políticos "sabiam do impacto que o GES teria no BES", mas admitiu que as autoridades políticas só tivessem conhecimento da situação no BES em julho, altura em que o Banco de Portugal ordenou ao banco que constituísse uma provisão de dois mil milhões de euros para a exposição ao GES.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de