Centeno "confortável" com previsões de Bruxelas

O ministro das Finanças classifica como "boas notícias" para Portugal, as previsões da Comissão Europeia, em matéria de crescimento económico.

Bruxelas reviu esta quinta-feira em alta, as perspetivas de crescimento para este ano, admitindo que a economia portuguesa terá avançado 2,0%, indo mesmo além da estimativa do governo, que calcula o crescimento em 1,9%.

Para o ministro das Finanças, Mário Centeno, os dados revelados em Bruxelas, "são uma boa confirmação daquilo que o governo tem vindo a descrever, como o bom momento da economia portuguesa, em particular, num contexto difícil, não só na área do euro, mas na economia global".

"É muito interessante - no sentido de uma boa notícia - que a economia portuguesa veja as suas previsões de crescimento, em 2019, revistas em alta, quando a área do euro é revista uma décima em baixa, e a generalidade dos países acompanha esta revisão em baixa", disse o ministro português, frisando que "a economia portuguesa tem vindo a mostrar muita resiliência - muita resistência - a este conjunto de pressões externas, que se tem colocado a todos os países, aqueles com economias mais abertas".

"São boas notícias que têm de ser obviamente continuadas com aquilo que é o trabalho não só do governo", disse o ministro das Finanças, a falar, em Bruxelas, a entrada para a reunião do Eurogrupo.

Ainda sobre as estimativas para 2020 e 2021, a Comissão Europeia prevê um abrandamento do crescimento económico, para 1,7 por cento do PIB, ao passo que a estimativa do ministério das Finanças é de 2,0%. Questionado sobre estes dados, Centeno desvaloriza.

"A verdade é que a Comissão se enganou, e eu, que não acho que os enganos se perpetuem, mas deixa-me um pouco, enfim, confortável, que a Comissão Europeia neste momento esteja a manter a sua taxa de crescimento para Portugal, quando reduz para a generalidade, a quase totalidade dos outros países da UE", afirmou, acreditando que a sua previsão de 2,0% "se venha a concretizar" em 2020.

Mário Centeno falava em reação aos dados apresentados por Bruxelas, no boletim macroeconómico do outono, no qual a Comissão considera também que as finanças públicas estão a beneficiar do consumo interno e de condições favoráveis de financiamento, admitindo que pudesse haver já este ano um excedente orçamental de 0,5%, não fosse o "impacto negativo" de uma nova ativação do mecanismo de capital contingente do Novo Banco de 0,6% do PIB. Assim, as contas públicas deverão apresentar um défice de 0,1% no final deste ano. A previsão está em linha com a estimativa do governo.

Em relação ao próximo ano, Bruxelas fixa o saldo global em 0,0%, tendo como base um cenário de políticas inalteradas. Este cálculo será obviamente revisto, assim que o orçamento do próximo ano chegar a Bruxelas.

A dívida pública deve continuar a cair. No final do ano, deve fixar-se em 119,5% do PIB, ou seja duas décimas acima da previsão do governo. E, terá caído para 117,1% no próximo, também aqui acima da mais recente previsão do executivo, que aponta para os 116,3%.

No emprego, a Comissão nota que a criação de postos de trabalho é agora mais lenta, e que os salários aumentaram. Bruxelas espera um impacto positivo sobre a produtividade.

O número de desempregados deverá ser cada vez menor, num ritmo moderado, atingindo os 5,6% até 2021. Bruxelas nota que são os serviços e a construção os principais contribuintes para a criação de empregos.

Centeno aproveitou para reagir aos dados divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística, sobre a taxa de desemprego no terceiro trimestre, a qual recuou para 6,1%, ou seja, 0,2 pontos percentuais abaixo do trimestre anterior. Relativamente ao mesmo período do ano passado, e menos é de 0,6 pontos percentuais a menos.

"São boas notícias para Portugal, para o seu mercado de trabalho, e projetamos que se mantenham em 2020, agora também com o patrocínio da Comissão Europeia", disse o ministro das Finanças.

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