Centeno destaca resposta positiva da política monetária na atual crise

Governador do Banco de Portugal salientou que a resposta foi "rápida e forte" e apontou também em paralelo o papel da Comissão Europeia ao aprovar um programa de relançamento económico.

O governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, considerou este sábado que a política monetária permitiu a reação necessária na crise causada pela pandemia de Covid-19 e destacou o papel do Banco Central Europeu (BCE).

Centeno falava num debate do Fórum "Rencontres Économiques d'Aix-en-Provence", participando por videoconferência no painel "Até onde pode ir a intervenção dos bancos centrais?".

No debate, o ex-ministro das Finanças salientou que a resposta foi "rápida e forte" e apontou também em paralelo o papel da Comissão Europeia ao aprovar um programa de relançamento económico.

"Temos de apoiar a economia enquanto for necessário", disse o governador do Banco de Portugal, destacando a "decisão importante" que o BCE tomou em dezembro passado, ao prolongar os programas de apoio à economia.

Nessa altura, o BCE decidiu em concreto um aumento de 500 mil milhões de euros no programa de compra de dívida destinado a aliviar o impacto da pandemia, ao mesmo tempo que deixou as taxas de juro inalteradas em mínimos que se têm mantido e devem continuar no próximo ano.

O volume das compras de dívida de emergência do BCE devido à pandemia de Covid-19 atinge agora 1,85 biliões de euros, tendo a duração do programa sido prolongada pelo menos até março de 2022, quando estava previsto terminar em junho de 2021.

O BCE anunciou também um prolongamento da série de empréstimos avultados e em condições favoráveis aos bancos até ao fim do próximo ano.

O objetivo desta medida é fornecer entre junho e dezembro de 2021 uma nova almofada de liquidez aos bancos que dela necessitem para facilitarem os empréstimos à economia real.

Na sua breve intervenção, Centeno defendeu também que é importante combater as desigualdades e garantir apoio a todos os setores e destacou a importância de ter em conta as questões climáticas nas decisões de política monetária.

Em resposta a uma pergunta sobre a questão da independência dos bancos centrais, o ex-presidente do Eurogrupo salientou que ela "não pode ser posta em causa".

Num outro painel do mesmo Fórum, o gestor António Costa e Silva, que elaborou a pedido do atual Governo o documento que serviu de base ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), falou do investimento nas infraestruturas e elencou a importância para Portugal dos projetos ligados à rede ferroviária e às infraestruturas portuárias.

Esta edição do Fórum "Rencontres Économiques d'Aix-en-Provence" começou na sexta-feira e termina no domingo.

Conta com mais de 50 sessões e debates que decorrem de forma presencial e por videoconferência, com intervenientes de vários países, abordando questões que como a capacidade de antecipar novas crises, o clima, a vacinação a nível mundial, a cooperação internacional ou a solidariedade internacional em tempos de pandemia.

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