Cinquenta mil empregos, crescimento de 3% por ano. Patrões criam plano para o pós-crise

Confederação Empresarial de Portugal traça quatro metas para 2026 e apresenta propostas em dez áreas para as atingir.

Portugal tem em 2021 uma decisão crucial: crescer ou empobrecer. O aviso é da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), que considera que o ano de 2021 é a oportunidade para o país dar um "abanão ao modelo de crescimento à forma como é visto o mundo dos negócios" e tornar-se "mais competitivo".

Os patrões notam que Portugal "foi o segundo país da Euro área que mais caiu desde janeiro de 2020 por efeito da crise, com uma quebra de 10 5 relativamente às projeções pré-pandemia" mas sublinham que "os problemas de Portugal são estratégicos"

A organização liderada por António Saraiva entende que "Portugal não pode conformar-se com o crescimento anémico que se tem registado nas últimas duas décadas".

Quatro metas, dez áreas de atuação

A estratégia da CIP para o período 2022-2026 inclui metas em quatro vertentes: o crescimento (Portugal deve crescer pelo menos 3% ao ano entre 2022 e 2026), o emprego (criação de 50 mil postos de trabalho qualificados , requalificação de 100 mil trabalhadores, e atingir 1 milhão de formandos com competências digitais), as exportações (cujo volume deve alcançar a 50% do PIB em 2026) e o investimento (aumento do Investimento para pelo menos 25% do PIB em 2026).

Para isso, os patrões apresentam propostas em dez vertentes.

O estímulo ao investimento através dos fundos comunitários, sendo "essencial que os parceiros sociais sejam ativamente envolvidos como parte na elaboração dos documentos estruturais e não apenas meras instâncias de consulta genérica".

Para os representantes dos empresários portugueses, "é importante que as medidas anunciadas pelo Governo saiam rapidamente do papel e cheguem à economia assim como é urgente que sejam assumidos apoios especiais para setores como o do comércio, o do turismo e em especial da restauração".

A CIP quer ainda a "plena ativação imediata do Banco Português de Fomento e a operacionalização urgente dos prometidos instrumentos de capitalização das empresas".

A organização entende que o governo deve incentivar os investimentos privados, com a simplificação dos mecanismos de acesso às candidaturas, e seleção e validação dos projetos.

Os custos de contexto são outra área em que os patrões querem melhorar o ambiente de negócios, com uma série de propostas que incluem a regularização imediata e completa dos pagamentos em atraso das entidades públicas e a simplificação das obrigações declarativas das empresas.

Exigindo uma "adequada execução dos investimentos públicos", a CIP sugere a "criação de uma estrutura de acompanhamento dos projetos públicos".

A capitalização das empresas, já referenciada pelo governo como uma pedra basilar da recuperação, é um ponto essencial para os patrões, que pedem várias medidas incluindo a "conversão de garantias do Estado em incentivos a fundo perdido", a "criação de um fundo de capitalização de emergência", e incentivos fiscais à capitalização, com a redução da taxa de IRC.

No mercado de trabalho, a tónica vai para a qualificação e requalificação de trabalhadores, com o reforço das competências digitais. Os patrões querem um pacto social para o crescimento que reveja a política de rendimentos e os "eixos de competitividade, incluindo o fiscal".

No capítulo da estratégia industrial, a confederação pede o reforço dos "apoios ao empreendedorismo, com programas que incluam todo o ciclo de vida das startups".

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