Com a cidade ainda "às moscas", comerciantes de Lisboa em "pânico" com hipótese de recuo no desconfinamento

Quebras nas vendas continuam bem acima dos 50%, mesmo com o fim do estado de emergência. Hipótese de Lisboa andar para trás assusta lojistas e donos de restaurantes.

Os comerciantes de Lisboa admitem que estão em "pânico" com a hipótese de existir um recuo no desconfinamento por causa do escalar da Covid-19 na capital. A União de Associações do Comércio e Serviços (UACS), que representa essencialmente lojistas de Lisboa, diz que os números assustam.

A presidente da União, Maria de Lourdes Fonseca, explica à TSF que têm recebido muitos contactos de comerciantes e só a hipótese de existir um retrocesso "deixa qualquer empresário em pânico - é o pânico geral".

A representante dos empresários descreve que o fim do estado de emergência trouxe algum negócio às zonas mais periféricas do concelho, nos bairros onde vivem mais pessoas, mas no centro o negócio continua a ser muito pouco: as quebras ainda estão acima dos 50% ou mesmo dos 70%.

Maria de Lourdes Fonseca admite que o centro mantém-se "às moscas", não apenas pela falta de turistas, bem como pelo teletrabalho, num cenário que afeta "todo o tipo de comércio" e que está "a prejudicar a cidade em grande escala".

"Sem a passagem das pessoas, não há apetência à compra. As pessoas podem comprar no sítio onde habitam, mas não na cidade de Lisboa", detalha a presidente da UACS.

"Não há capacidade de aguentar um retrocesso pois os apoios que existiram foram apenas atenuantes. A economia que existia antes da pandemia desapareceu. É um pânico geral. Se hoje há muitas empresas que já fecharam ou estão em vias, se existir esse recuo ninguém tem a noção do efeito", conclui Maria de Lourdes Fonseca.

Tanta oferta para pouca procura

Idêntico diagnóstico é feito pela Associação Nacional de Restaurantes onde o presidente explica que os empresários de Lisboa e do Porto sofrem mais do que os do resto do país.

"Os restaurantes de Lisboa e do Porto estão quase às moscas pois existe uma oferta muito elevada para um número de pessoas que não existe", refere Daniel Serra.

Recordando os prejuízos que se arrastam há mais de um ano, o representante do setor acredita que um passo atrás no desconfinamento em Lisboa será algo "impensável" e uma "catástrofe", sublinhando os efeitos de imagem para o país no seu todo.

Nos restaurantes do centro de Lisboa - tal como do centro do Porto - as quebras nas receitas continuam, ainda hoje, a rondar os 65 a 70%.

LEIA TUDO SOBRE A PANDEMIA DE COVID-19

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de