Com recorde de passageiros, Ryanair diz-se em condições de voltar aos lucros

CEO da companhia aérea acusa a TAP de estar a bloquear slots no aeroporto de Lisboa e diz que a Ryanair é a única companhia "que demonstrou um compromisso com Portugal para utilizar todos os aviões durante todo o ano".

Atingido um valor recorde de 13 milhões de passageiros, a companhia aérea Ryanair está em condições de voltar aos lucros. O anúncio foi feito esta manhã pelo CEO da companhia, Michael O'Leary, numa conferência de imprensa em que apontou culpas à TAP pelo atraso na retoma do setor em Portugal.

Num momento em que a easyJet reduz a oferta em Portugal, O'Leary garante que a Ryanair é a única companhia com condições para preencher os 18 slots que a TAP está obrigada a ceder no aeroporto de Lisboa como contrapartida pela ajuda do Estado.

Apesar de os resultados do concurso só deverem ser conhecidos em junho, o CEO da companhia aérea acusa a TAP de estar a criar uma "situação ridícula" ao bloquear os slots.

"Abrirmos Lisboa no inverno, fecharmos no verão, abrirmos no inverno... O crescimento e a recuperação do turismo e do tráfego aéreo em Portugal está a ser atrasado pelo bloqueio de slots da TAP", explicou o responsável, que contraria ainda as declarações do ministro Pedro Nuno Santos, após este ter defendido no Parlamento que a companhia portuguesa não está a bloquear os slots.

O'Leary garante que a TAP está a "cancelar slots de duas em duas semanas que sabe que não pode utilizar porque tem tido um número de voos muito inferior".

"As licitações para os slots fecharam há cerca de três semanas. Ryanair e easyJet estão a lutar pelos slots. Apresentámos o ponto de que a easyJet cobra tarifas muito mais altas do que a Ryanair e que reduziu os seus voos tanto em Lisboa, como Faro, como no Porto", afirmou.

"Esperamos ficar com todos os slots que vão ser distribuídos até ao fim de junho", sublinhou o responsável, que apontou que, com essas faixas horárias, a empresa poderá "colocar mais três aeronaves em Lisboa no inverno".

Com esses slots, a Ryanair diz que poderá aumentar o número de aeronaves no aeroporto de Lisboa para 10 no inverno e sete no próximo verão.

Num confronto direto contra a easyJet, o líder da Ryanair diz que a companhia irlandesa tem vantagem, apontando que a empresa sediada em Luton, Inglaterra, "tem reduzido as suas aeronaves no Porto durante o inverno, fecharam atividade em Faro durante o inverno, utilizam as mesmas quatro ou cinco aeronaves em Lisboa durante o ano inteiro".

"Somos a única companhia aérea que demonstrou um compromisso com Portugal para utilizar todos os nossos aviões durante todo o ano", vincou.

Enquanto não é resolvido o impasse, a Ryanair anuncia que se tornou na companhia aérea "número um" no país, ao registar mais de 13 milhões de passageiros e um recorde de tráfego pós-Covid, algo que leva o CEO a acreditar que 2022 pode ser o fim de dois anos de prejuízos.

"Se não houver mais más notícias da Covid e se não houver mais más notícias da Ucrânia, acreditamos que certamente vamos ter lucros este ano e esperamos que sejam os mesmos que tínhamos antes da Covid, talvez mil milhões", apontou o líder da companhia.

Apontando para uma recuperação do lucro pré-pandemia - 1.002 milhões de euros no ano fiscal que terminou em março de 2020 -, Michael O'Leary sublinhou o restabelecimento dos salários para todos os trabalhadores que negociaram reduções, como pilotos e tripulantes, que ameaçam agora partir para uma greve ao nível europeu.

"Estamos quase no fim das negociações com os nossos pilotos, esperamos que estejam concluídas no final de maio", garantiu O'Leary, que revelou não contar com greves ainda este ano "porque essas negociações vão continuar"

Decisão sobre slots divulgada em junho

O concurso para aceder aos 18 slots diários de que a TAP irá prescindir no aeroporto de Lisboa, após imposição da Comissão Europeia para dar aval ao plano de reestruturação, arrancou no final de fevereiro, estando prevista uma decisão para junho.

Nos detalhes do concurso, consultados pela Lusa, lê-se que o prazo para manifestações de interesse terminou em 24 de março, seguindo-se uma comunicação da lista das transportadoras que o fizeram até 25 de abril e, depois, 12 de maio, foi a data final para apresentação oficial de propostas.

Previsto está que, na semana de 13 de junho, a Comissão Europeia divulgue a decisão sobre a avaliação das propostas e que, por volta de 25 de julho, seja assinado o acordo de transferência de faixas horárias, para o arranque da operação em 30 de outubro próximo.

Em causa está o aval dado pela Comissão Europeia, em 21 de dezembro passado, ao plano de reestruturação da TAP e à ajuda estatal de 2.550 milhões de euros para permitir que o grupo regressasse à viabilidade, impondo para isso compromissos de forma a não prejudicar a concorrência europeia.

Entre os remédios impostos por Bruxelas para aprovar o plano de reestruturação está, precisamente, a obrigação de a companhia aérea disponibilizar até 18 slots por dia no aeroporto de Lisboa.

Michael O'Leary acrescentou que vai querer mais que estes 18 slots da TAP, referindo que quando a situação regressar ao normal, a companhia aérea portuguesa deverá perder mais destas faixas horárias.

"A TAP vai perder mais slots e nós vamos querer esses 'slots' e crescer mais aqui na Portela, além de Madeira, Porto e Faro.

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