Comércio e restauração pedem medidas de apoio até ao fim do ano. Há o risco de "abre e fecha"

A Confederação do Comércio e a Associação Nacional de Restaurantes Pro.var pedem apoios mais extensos, até ao final de 2021, para mitigar o risco de novos encerramentos. Os cabeleireiros estão aliviados, mas os bares e as discotecas dizem precisar de mais apoios, se tiverem de permanecer fechados por mais tempo.

A 5 de maio será feita uma reavaliação do plano de desconfinamento anunciado pelo primeiro-ministro na quinta-feira. Além das creches, jardins-de-infância e escolas do primeiro ciclo, das livrarias e cabeleireiros, barbeiros e manicures, a partir de segunda-feira, serão reabertas as lojas de comércio local de bens não essenciais de venda ao postigo.

João Vieira Lopes, da Confederação do Comércio, diz-se satisfeito com a reabertura, ainda que faseada. "É positiva a abertura dos cabeleireiros e barbeiros, porque é um problema económico não só de um setor fortemente atingido, como é um problema também em termos de saúde mental dos portugueses", reage, em declarações à TSF.

O representante da Confederação do Comércio sinaliza também com agrado setores como o automóvel e imobiliário, que "não geram grande movimento de pessoas", poderem abrir, bem como as livrarias, que tinham sofrido "uma grande injustiça".

João Vieira Lopes defende que o programa Apoiar, com apoios a fundo perdido alargado, deve alargar-se a mais setores, já que se "encontra muito restrito".

"O programa do lay-off simplificado, que só se aplica às empresas que encerraram por decisão legal, tem de se aplicar a outros setores", considera também.

Já os restaurantes, cafés e pastelarias só vão reabrir por completo e sem limite de horário a partir de 3 de maio, mantendo, no entanto, um limite no número de clientes. Daniel Serra, da Pro.var, a Associação Nacional de Restaurantes, considera que estas novas regras não servem.

"As restrições são de tal ordem que, no fundo, não interessam à maioria dos restaurantes", preconiza Daniel Serra, que as considera "extremamente apertadas", e refere que, mesmo depois de 5 de maio, há o risco de um "abre e fecha".

"O Governo terá de anunciar medidas que não só tenham de garantir até ao dia 5 de maio apoios reforçados, como vai ter de os estender até ao fim do ano, porque a situação vai ser muito complicada", conclui.

A Associação de Bares da Zona Histórica do Porto diz ainda estar na expectativa em relação às mediudas que o Governo vai anunciar esta tarde, em termos de apoio à economia e ao emprego. Estes negócios estão fora do plano de desconfinamento faseado que se inicia na segunda-feira e que se prolonga até maio. António Fonseca, representante da associação defende a realização de testes piloto para permitir aberturas seletivas.

"Cada empresário poderá pedir à Direção-Geral da Saúde, através de requerimento, para abrir a determinados dias, e, a partir daí, há uma série de requisitos que a DGS pode controlar, ou seja, haverá uma competência, por parte da Direção-Geral da Saúde, para irem ao local verificar se o estabelecimento tem condições", sustenta.

António Fonseca considera mais eficaz que cada estabelecimento seja responsável pelo cumprimento das regras, com um certificado de adesão aos requisitos impostos. Esta medida poderia licenciar por um dia ou períodos curtos de tempo o estabelecimento e teria de ser o empresário a pedir esta abertura, com a necessária realização de testes.

O representante da Associação de Bares da Zona Histórica do Porto pede ainda que o apoio a fundo perdido se mantenha em qualquer circunstância, mesmo após a reabertura, até porque os bares e as discotecas foram os primeiros a fechar e serão os últimos a abrir.

O desconfinamento também reabre as portas de cabeleireiros, barbeiros e esteticistas. Cristina Bento, secretária-geral da Associação Portuguesa de Barbearias, Cabeleireiros e Institutos de Beleza, diz-se aliviada e realça o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelo setor ao nível da segurança.

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