Comité de ética da NOS chama administradores ligados a Isabel dos Santos

Empresa quer explicações sobre transações que envolvem offshore da angolana.

Os administradores da NOS envolvidos no Luanda Leaks vão ser ouvidos pelo Comité de Ética e pela Comissão de Governo Societário da operadora, avança o Jornal de Negócios .

Jorge Brito Pereira, Paula Oliveira e Mário Leite da Silva são os administradores não executivos da NOS, ligados a Isabel dos Santos e cujos nomes surgem em vários documentos do caso Luanda Leaks.

A operadora quer agora ouvir as explicações sobre as notícias em que surgem envolvidos em transferência de milhões de dólares da Sonangol para as contas da offshore Matter Business Solutions, com sede no Dubai e detida pela angolana.

As informações recolhidas confirmam que a offshore tinha como única acionista declarada a portuguesa Paula Oliveira, amiga de Isabel dos Santos, contando com o apoio do advogado pessoal da empresária, o português Jorge Brito Pereira chairman da NOS.

Depois de conhecidos os primeiros documentos do caso Luanda Leaks, o advogado afirmou que não esteve nem está relacionado com a empresa Matter Business Solutions que, de acordo com a investigação jornalística "Luanda Leaks", recebeu cerca de 100 milhões de dólares da Sonangol.

"Compareci na constituição da sociedade com uma procuração e, porque viram essa procuração, assumiram, mal, que eu tinha o que quer que seja a ver com a vida da sociedade. Não tinha e não tenho", disse Jorge Brito Pereira num esclarecimento escrito enviado à Lusa.

Sonae atenta e preocupada

Este cenário era previsível depois de, na segunda-feira a Sonae ter anunciado que "está a acompanhar" com "atenção e preocupação" as notícias veiculadas sobre o 'Luanda Leaks', que detalha esquemas financeiros de Isabel dos Santos, nomeadamente devido às alusões feitas a administradores da NOS.

Em comunicado, o grupo referia que, "face às notícias veiculadas nos últimos dias em diversos órgãos de comunicação social sob a designação 'Luanda Leaks', a Sonae vem por este meio comunicar que está a acompanhar a situação com atenção e preocupação, sobretudo dadas as alusões feitas a vários membros não executivos do Conselho de Administração da sua participada NOS".

O grupo liderado por Cláudia Azevedo explicava que, "neste contexto, foi desde já garantido que os órgãos competentes da sociedade estão a avaliar a situação de forma rigorosa e com sentido de urgência".

A Sonae sublinha que a NOS, liderada por Miguel Almeida, "sempre se pautou por regras de governo societário exigentes, que vêm sendo estritamente cumpridas e continuarão a sê-lo".

O grupo dono da cadeia de hipermercados Continente acrescenta que "esta situação em nada altera a total confiança que a Sonae tem na empresa e na sua equipa de gestão", salientando que "a NOS é um operador de telecomunicações de referência a nível europeu e uma das maiores empresas portuguesas, com responsabilidade perante milhares de colaboradores, clientes e parceiros".

Por isso, "a Sonae tudo fará para garantir que a empresa tem a estabilidade necessária para continuar a servir os seus diversos stakeholders [partes envolvidas] e gerar valor para a economia portuguesa", conclui o grupo.

A operadora de telecomunicações NOS é controlada pela Zopt, a qual tem como acionistas Isabel dos Santos e a Sonae.

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