Concurso para compra de 22 comboios impugnado

Ministro das Infraestruturas afirmou no parlamento que a ação pode provocar "atraso relevante". No debate do Orçamento na especialidade, Pedro Nuno Santos negou atrasos na ferrovia e sublinhou a importância do novo aeroporto.

O concurso para aquisição de 22 novos comboios para a CP foi impugnado e a providência cautelar pode provocar um "atraso relevante" no processo.

O anúncio foi feito pelo ministro das Infraestruturas e Habitação no parlamento. Pedro Nuno Santos afirmou que a impugnação espera uma decisão do tribunal sobre a providência cautelar movida por um concorrente no concurso.

O concurso foi decidido em outubro, momento em que o conselho de ministros decidiu atribuir 168 milhões de euros à operação.

Já no final de dezembro o jornal expresso avançou que o grupo espanhol CAF tinha avançado para a impugnação do concurso para o fornecimento de 22 comboios regionais à CP. Os outros dois são a também espanhola Talgo e a suíça Stadler, que venceu o concurso.

Atrasos? "Diga-me um!"

Na audição conjunta nas comissões parlamentares de Orçamento e Finanças e de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, no âmbito da apreciação na especialidade do Orçamento do Estado para 2020, o governante negou atrasos nos projetos de investimento na ferrovia.

A acusação tinha sido lançada pelo social-democrata Carlos Silva, que afirmou que o programa Ferrovia 2020 "está com um atraso brutal". O deputado do PSD disse que "estamos no final do programa e estão apenas concretizadas 5% das obras previstas, e cerca de 50% estão a lançar concursos para projetos, não para obras".

O ministro rejeitou acusação que qualificou de "mentira" e argumentou que "não há um projeto para concurso, não há um único". Pedro Nuno Santos recordou um momento televisão: "como dizia um locutor num programa de televisão, digam-me um".

Aeroporto: "Não temos o direito de adiar o desenvolvimento"

O ministro sublinhou a importância da construção do aeroporto do Montijo: "não temos o direito de continuar a adiar o desenvolvimento do país", afirmou, explicando que "todos os investimentos em infraestruturas têm impacto ambiental, que não haja ilusão sobre isso. O que temos de garantir é um equilíbrio que preserve o ambiente e a qualidade de vida mas permita ao pais continuar a progredir e desenvolver-se", explicou.

Pedro Nuno Santos entende que "o país perde e derrota-se a si próprio de cada vez que, havendo vontade de avançar com uma infraestrutura desta importância, de a boicotar" e argumenta que "para um país periférico como Portugal, o novo aeroporto de Lisboa é crítico para que o nosso povo possa viver melhor". O ministro destaca que "estamos a perder centenas de milhões de euros todos os dias porque o aeroporto não pode receber a quantidade de voos que procuram o nosso país, e isso é menos rendimento, são menos receitas."

Porta 65 com mais 2 milhões de euros

No plano da habitação, o ministro anunciou um reforço de 2 milhões de euros da dotação do Porta 65, o plano de apoio ao arrendamento jovem que "foi alvo de um decréscimo em 2016 e 2017, e estamos a recuperar. Temos 20 milhões de euros para o Porta 65. São mais 2 milhões de euros".

Pedro Nuno Santos admite que "obviamente todos quereríamos mais", mas sublinha que "é mais do que no ano anterior".

Estado nos CTT? "Não excluímos nenhum cenário"

Pedro Nuno Santos considera que o facto de os CTT terem sido provatizados na totalidade "não é normal". O ministro explica que "só há quatro países que tem a empresa de correios privatizada totalmente: Holanda, Reino Unido, Malta e Portugal. Isto nem sequer é o normal".

Questionado pelo deputado Bruno Dias do PCP sobre a posição do executivo sobre a possibilidade de o Estado voltar a controlar a companhia, o ministro afirmou que "não exclui nenhum cenário", realçando que "se houve um governo que privatizou totalmente, também pode haver um governo que volte a entrar no capital da empresa".

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de