Constâncio lamenta não ter sido alertado sobre o BESA

No seu entendimento, pelo facto de ser um ativo que, "como se revelou, não tinha risco, uma vez que Angola pagou sempre juros e amortizações da sua dívida", isso levou-o a "compreender" que não tivesse sido "alertado".

O antigo governador do Banco de Portugal (BdP) Vítor Constâncio lamentou esta sexta-feira no parlamento não ter sido alertado pelos próprios serviços do banco central para a exposição do BES ao BES Angola.

"Lamento que na altura não tivesse sido alertado para essa situação concreta", disse o também antigo vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE) respondendo ao deputado do PCP Duarte Alves.

O parlamentar comunista tinha referido o aumento de exposição do BES para o BES Angola de 20 para 1.750 milhões de euros num ano.

"Não fui alertado para esse salto, mas compreendo que esse aumento foi dedicado à subscrição de dívida pública angolana por parte do BESA", que não gerou problemas, respondeu Vítor Constâncio.

No seu entendimento, pelo facto de ser um ativo que, "como se revelou, não tinha risco, uma vez que Angola pagou sempre juros e amortizações da sua dívida", isso levou-o a "compreender" que não tivesse sido "alertado para essa questão".

Para Vítor Constâncio, a "explosão do uso do BESA só encontra alguma possível racionalidade - porque em última análise racionalidade não tem, do ponto de vista dos interesses do próprio grupo - num fenómeno de fuga para a frente, a partir de 2010".

"A explosão deste crédito deveria ter sido travada, de facto", admitiu hoje aos deputados.

O antigo responsável disse que "só posteriormente se verificou que - e sobretudo a partir de 2010 e 2011 - houve um salto enorme na exposição do grupo [Espírito Santo] ao BESA", que já compreendeu exposição "a entidades privadas angolanas, gerando um alto risco".

Vítor Constâncio referiu ainda números que dão conta que o crédito total do BES Angola passou de 939 milhões de euros em 2009 para 6.100 milhões de euros em 2013.

"Esse crédito era a entidades privadas locais, que se revelou ser um crédito malparado, e que na parte final do processo conduziu a perdas. Não foi o investimento em dívida publica que causou essas perdas, nem o risco cambial justificaria tais perdas", considerou.

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