Crédito malparado cai, mas envelope dos bancos para o enfrentar aumenta

Moratórias bancárias ajudaram a diminuição do crédito malparado de empresas e particulares no terceiro trimestre. Imparidades aumentaram.

No terceiro trimestre do ano, o rácio de empréstimos não produtivos (NPL na sigla inglesa que significa Non Performing Loans) diminuiu 0,2 pontos percentuais para 5,3%. Os NPL em valor absoluto caíram 4,9%, mais do que a carteira total de empréstimos (-1%).

Os dados do Banco de Portugal mostram que, em setembro, o rácio de crédito malparado nas empresas era de 10,6%, numa queda de 0,6 pontos percentuais.

Nas famílias, o rácio diminuiu 0,2 pontos percentuais, fixando-se em 3,5%.

O regulador sublinha que, tanto nos particulares como nas companhias, a redução do rácio (que é calculado dividindo o malparado pelo total do crédito concedido) resulta "da diminuição do numerador", ou seja, do crédito em risco propriamente dito).

No outro lado da moeda, o rácio de imparidades por malparado aumentou 2,8 pontos percentuais para 55,9%.

O Banco de Portugal escreve que o aumento do rácio é reflexo "sobretudo da redução dos NPL das empresas e do aumento das imparidades em empréstimos a instituições de crédito.

Por outro lado, o regulador sublinha que "a redução das imparidades acumuladas nos segmentos de empresas e particulares atenuaram o aumento do rácio de cobertura".

As imparidades são valores que os bancos inscrevem no balanço para fazer face a eventuais incumprimentos de clientes. Cada banco estima a evolução futura da sua carteira de crédito face à evolução económica. Se a previsão apontar para um aumento do malparado, a instituição inscreve esses valores no balanço. É como um envelope de dinheiro "à parte" para fazer face a dificuldades futuras.

O rácio de cobertura é a proporção de crédito malparado que está precavido pelo tal envelope.

Nos primeiros nove meses do ano, os bancos portugueses reportaram um prejuízo líquido acumulado de 43 milhões de euros, o que compara com um lucro líquido de cerca de 995 milhões de euros no mesmo período de 2019.

No final do terceiro trimestre, os bancos tinham concedido moratórias que abrangem 46 mil milhões de euros.

As moratórias nos créditos a empresas abrangem um terço do total concedido. Nas famílias o rácio é de 17%.

Até setembro, os maiores bancos operar em Portugal constituíram imparidades de quase 900 milhões de euros.

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