DBRS melhora nota da dívida de Portugal

Agência de rating canadiana eleva avaliação da dívida, justificando a opção com melhorias económicas e nas finanças públicas, mas adivinha abrandamento do crescimento do PIB.

A agência canadiana de rating DBRS elevou a nota da dívida portuguesa, passando-a de BBB para BBB (alta), com perspetiva estável.

A casa de notação financeira justifica a decisão com as melhorias tanto na economia - embora adivinhe um abrandamento do crescimento - como nas finanças públicas e escreve que independentemente do resultado da eleição legislativa, espera que o país continue comprometido com uma gestão orçamental prudente.

A DBRS destaca a evolução da consolidação orçamental e o caminho no sentido do equilíbrio das contas públicas e a redução do peso da dívida pública no Produto Interno Bruto (PIB).

A agência também sublinha alterações na estrutura económica do país, que facilitam o crescimento do PIB, incluindo o aumento da qualidade das exportações, bem como a subida do investimento privado. Mas atenção: o crescimento do PIB deverá abrandar face à desaceleração da procura externa.

A casa de notação financeira nota também melhorias na estabilidade financeira portuguesa, com a diminuição do endividamento das empresas e a redução do crédito malparado. No capítulo da banca, a DBRS destaca a melhoria dos rácios de capital e da rendibilidade dos bancos.

E o futuro imediato, acredita a agência de rating, não deverá trazer dificuldades de maior: a DBRS adivinha a continuação do crescimento económico, do emprego, do investimento e dos salários.

A agência explica ainda que poderá melhorar a nota se o país conseguir manter saldos primários positivos e crescimento económico estável. Melhorias no setor financeiro também serão tidos em conta em futuras avaliações.

Se o caminho for inverso, avisa a agência, a nota pode cair.

De entre as maiores agências de rating (mercado dominado pela Moody's, Fitch e Standard & Poors), a DBRS foi a única que nunca colocou a nota da dívida portuguesa no nível lixo. Esse facto permitiu ao país continuar a aceder ao programa de compras de ativos do Banco Central Europeu, cujos critérios de elegibilidade colocariam Portugal de fora caso a DBRS, à semelhança das outras três agências, também tivesse considerado, durante a crise, que qualquer investimento nos títulos de dívida lusos seria especulativo.

Já em maio a DBRS tinha melhorado a perspetiva do rating, sugerindo melhorias na revisão seguinte, o que aconteceu nesta sexta-feira.

Ministério das Finanças: "é mais um passo fundamental"

Em comunicado - provavelmente o último de Mário Centeno na plenitude de funções, já que a partir de segunda-feira o governo entra em gestão à espera do próximo - o ministério das Finanças sublinha que "a taxa de juro das obrigações a 10 anos está abaixo de 0,2%, um valor sem paralelo histórico e o diferencial face a Espanha mantém-se praticamente nulo".

O gabinete de Mário Centeno argumenta que a revisão em alta "é mais um passo fundamental que traduz a política de credibilização de Portugal".

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