De políticos corruptos a traficantes de droga. Credit Suisse manteve contas com dinheiro sujo secretas durante décadas

Há empresas e contas pessoais no caso de Portugal.

Uma fuga de informação do banco Credit Suisse revelou que esta instituição bancária abriu e manteve secretas contas controladas por políticos corruptos, ditadores e traficantes de droga, alguns condenados em tribunal. As informações foram investigadas por mais de 160 jornalistas, em 39 países, e concluíram que durante décadas o Credit Suisse aceitou milhões de euros de dinheiro sujo.

Os ficheiros com os dados de 18 mil contas foram entregues há cerca de um ano ao jornal Süddeutsche Zeitung, um dos maiores jornais alemães, e foram partilhados com um consórcio de jornalismo de investigação que inclui, em Portugal, o jornal Expresso. Os dados que constam da fuga de informação permitem saber detalhes de 100 mil milhões de euros de 30 mil clientes.

Há empresas e contas pessoais no caso de Portugal. Segundo o jornal Expresso, o Credit Suisse manteve, mesmo depois de serem públicas as investigações criminais, dezenas de contas para o luso angolano Álvaro Sobrinho, antigo presidente do Banco Espírito Santo Angola, e para Hélder Bataglia, presidente da Escom e antigo administrador do banco.

Na investigação, de acordo com o Expresso, surgem nomes de uma centena de portugueses, mas mais nenhum, além destes dois, foi considerado problemático. Aparecem também os nomes de José Filomeno dos Santos, filho do antigo presidente de Angola, Filomeno dos Santos, que chegou a estar à frente do fundo soberano de Angola.

Abriu em 2008 uma conta no Credit Suisse que chegou a ter 18 milhões de euros e foi fechada em 2013. Sete anos depois, em 2020, Filomeno dos Santos foi condenado a cinco anos de prisão por crimes de burla, peculato e tráfico de influência.

A fuga de informação e os dados enviados ao jornal alemão identificou outros clientes considerados como duvidosos. Entre eles está o conselheiro financeiro do antigo presidente egípcio Hosni Mubarak, responsável por muitas violações de direitos humanos, ou uma rede de tráfico de cocaína na Bulgária. Neste caso, o Credit Suisse está sentado no banco dos réus, acusado de ter ajudado no esquema de lavagem de dinheiro.

O consórcio internacional de jornalistas adianta que os clientes identificados na investigação como problemáticos chegaram a acumular quase oito mil milhões de euros nas contas.

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