Deco sugere regresso das moratórias na habitação e quer garantias da banca para resolver crise

No Fórum TSF, Natália Nunes defendeu que o regresso das moratórias no crédito à habitação "pode ser uma solução" para ajudar na resolução da crise. Na segunda-feira, o primeiro-ministro disse estar a analisar respostas em conjunto com a Associação Portuguesa de Bancos, respostas essas que podem passar por novas moratórias.

O regresso das moratórias pode ser um caminho para ajudar à saída da crise. A sugestão é da Deco e foi feita no Fórum TSF desta terça-feira. Natália Nunes apontou várias soluções para aliviar o peso da crise sobre as famílias, entre elas uma nova moratória.

"A moratória acaba por ser uma carência e até uma solução que tem sido adotada em vários momentos", começou por dizer, recordando os anos de 2008 e 2009, ainda que, nesta altura, "não tenha sido formalmente designada de moratória".

"As carências têm sido medidas muito utilizadas pela banca em momentos de dificuldades perante os consumidores. Pode ser uma solução, assim como alargar prazos. Sabemos que existe muito crédito à habitação que já está, em termos de duração, no máximo, mas existem outros que têm ainda margem para aumentar prazos. É preciso que haja garantia que a banca vai encontrar soluções e vai ter esta abertura e não vai ficar presa às análises de risco", considerou Natália Nunes.

Na segunda-feira, questionado pela TVI e CNN Portugal, o primeiro-ministro afirmou que o Governo está a estudar soluções, em conjunto com a Associação Portuguesa de Bancos. António Costa não revelou que soluções são essas,
mas admitiu que podem passar por novas moratórias.

Para o diretor do jornal económico Eco, dificilmente poderá haver novas moratórias, porque essa é uma decisão que depende do Banco Central Europeu.

"Teria que ser feito no quadro do BCE, que já autorizou moratórias aos bancos da zona euro em circunstâncias muito particulares. O Governo terá uma única saída para apoiar quem tem crédito à habitação, que é recuperar a dedução dos juros no crédito à habitação. Acho que é essa a solução mais viável, mais prática, mas que, ainda assim, serve para mitigar os impactos brutais que se vão verificar. A chegarem, as deduções vão ser seguramente importantes, mas vão ser necessariamente limitadas", referiu o diretor do jornal Eco, António Costa, também ouvido no Fórum TSF.

Já a Associação Empresarial de Portugal (AEP) quer que o Governo se comprometa, de facto, com a recuperação das empresas. O pedido também foi feito no Fórum TSF pelo presidente da AEP. Luís Miguel Ribeiro defendeu que a situação é muito complicada e esse compromisso é a única saída.

"Tal como o senhor primeiro-ministro ontem dizia que tinha assinado um contrato com as famílias e os portugueses, é preciso assinar um contrato de compromisso com as empresas para que, em conjunto e cada um, naquilo que são as suas responsabilidades e competências, possamos encontrar soluções que ajudam a ultrapassar a situação que vivemos atualmente, que é muito difícil e não estou a exagerar quando digo que é muito difícil", explicou.

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