Departamento do Novo Banco temeu pela assessoria financeira na venda de 9 mil imóveis

Conselho de Administração foi avisado que seria má ideia contratar como assessor financeiro o grupo da empresa que em Portugal tinha como diretor executivo um antigo quadro superior do falido BES.

O departamento que fiscaliza o cumprimento das regras legais e éticas no Novo Banco deu parecer negativo à contratação do grupo que fez a assessoria financeira na venda de um fundo com milhares de imóveis.

O chumbo está relatado na auditoria feita pela Deloitte agora publicada no site do Parlamento e envolveu um dos negócios que mais prejuízos trouxe ao Novo Banco.

O operação Viriato foi fechada em 2018 e consistiu na venda de quase 9 mil imóveis com uma perda de 170 milhões de euros, num negócio polémico que alguns consideraram a preço de saldo.

O relatório agora revelado mostra que esta operação não foi igualmente pacífica dentro do Novo Banco: o Departamento de Compliance avisou o Conselho de Administração que era má ideia contratar como assessor financeiro o grupo Alantra, empresa que em Portugal tinha como diretor executivo um antigo quadro superior do antigo BES.

O aviso falava num "claro risco" para a reputação do Novo Banco que se arriscava a voltar a ser associado a "empresas/pessoas" ligadas à gestão do BES e das "más práticas" que levaram ao fim deste banco, num custoso processo de resolução.

O Conselho de Administração argumentou, em resposta, que teria resolvido o alegado problema contratando a empresa espanhola do grupo Alantra, numa equipa vinda de Espanha que viria a fazer a assessoria financeira desta e de outras vendas futuras do banco.

Recorde-se que o Departamento de Compliance é responsável por promover que o Novo Banco cumpra todas "as exigências legais, regulamentares, estatutárias, operacionais, tutelares, éticas e de conduta", mas também contribuir para o reforço da sua "imagem, credibilidade e confiança pública".

Falhas nas vendas a desconto

No mesmo relatório agora publicado os auditores da Deloitte apontam ainda falhas nas vendas com desconto de ativos imóveis do Novo Banco.

"As vendas efetuadas pelo Novo Banco foram realizadas por valores inferiores (em alguns casos de forma significativa) face aos valores das últimas avaliações disponíveis", mas até ao final de 2018 "o Novo Banco não tinha aplicado "procedimentos de análise e justificação formal das perdas perante anteriores avaliações feitas.

O documento sublinha que "não é incluída uma justificação ou explicação para a diferença entre o valor de venda e o valor de avaliação anterior, nem isso era exigido pelas regras internas do Novo Banco".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de