Desfasamento de horários causou dramatismo? "Infelizmente há coisas muito piores pela frente"

Ferraz da Costa, do Fórum para a Competitividade, deixa um alerta: apesar do "dramatismo" gerado em torno do desfasamento de horários, as empresas enfrentarão ainda dificuldades maiores. Já Carvalho da Silva, antigo secretário geral da CGTP, classifica como "ignóbil" a proposta do Governo.

Um "dramatismo exagerado". É assim que Ferraz da Costa, do Fórum para a Competitividade, classifica a reação dos sindicatos à proposta do Governo sobre o desfasamento de horários nas empresas para mitigar a possibilidade de contágios. "Estamos neste momento a passar ou a entrar num momento económico tão difícil para a sobrevivência das empresas que acho um bocadinho exagerado todo este dramatismo por causa de um desfasamento de horários. Infelizmente vamos ter coisas muito piores pela frente."

Ferraz da Costa admite, em declarações emitidas no Fórum TSF, que nem todas as empresas com mais de 50 trabalhadores vão conseguir alterar os horários de imediato. "Este regulamento, ou este decreto, deveria ter sido conhecido com mais antecedência. Há muitas empresas que não vão conseguir implementar já estes procedimentos, e já se estava a prever que se ia fazer este desconfinamento. Acho que nunca se deveria ter feito o confinamento que se fez, mas, uma vez que se sabia que se ia desconfinar algum dia, era natural que estes assuntos já estivessem mais bem preparados para serem mais fáceis de implementar e com mais antecedência, diminuindo o conflito."

Já Carvalho da Silva, especialista em questões laborais e antigo secretário geral da CGTP, manifesta-se contra a medida avançada pelo Executivo. "Não tenho nenhuma posição contra este Governo, antes pelo contrário; acho que tem feito coisas úteis e que é necessário encontrar respostas para os próximos tempos, que envolvam o Partido Socialista, este Governo e a esquerda, isso faz falta", começa por dizer. Mas, quanto à proposta de alteração dos horários de trabalho, Carvalho da Silva não tem dúvidas: "é ignóbil".

Carvalho da Silva admite, no entanto, que, com negociação, não será difícil chegar a acordos. "É muito provável que seja importante que se discutam alterações de horários, em função de desafios que estão aí. Eu não ponho o objetivo em causa, mas é uma daquelas matérias em que, exigindo negociação, não é difícil chegar a acordos."

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