"É uma decisão difícil." Altice Portugal avança com despedimento coletivo

Serão despedidas 300 pessoas. Empresa culpa o contexto.

A Altice Portugal vai avançar com um despedimento coletivo que vai abranger 300 pessoas, que terão a oportunidade de negociar a saída antes de o processo ficar concluído, avançou a empresa em comunicado.

"É uma decisão difícil, mas que se afigura como indispensável, essencialmente devido ao contexto muito adverso que se vive no nosso setor: o ambiente regulatório hostil, a falta de visão estratégica do país, o contínuo, lamentável e profundo atraso do 5G, bem como a má gestão deste dossier, e ainda as múltiplas decisões unilaterais graves da ANACOM e de outras autoridades, sempre com a cobertura da tutela, e que ao longo dos últimos 4 anos destruíram significativamente valor", pode ler-se no comunicado, assinado pelo presidente executivo da Altice, Alexandre Fonseca.

A empresa justifica o despedimento coletivo com o contexto e incerteza do mercado.

"Nunca, de forma alguma, seria possível proteger o futuro dos postos de trabalho, reforçar a posição no setor e consolidar a estabilidade da organização, se nada se fizesse, perante o contexto atual que todos conhecemos e sentimos. As decisões tomadas hoje vão assegurar o futuro da empresa, que lidera um setor responsável por mais de 2% do PIB do país", acrescentou o presidente executivo da Altice.

A escolha do mecanismo de despedimento coletivo "é realizada tendo presente que é o único meio que pode garantir aos trabalhadores o acesso a medidas de proteção social, nomeadamente ao subsídio de desemprego", afirmou fonte oficial da dona da Meo à agência Lusa.

O processo "abrange menos de três centenas de trabalhadores, a quem será dada a possibilidade de aceitarem condições de saída muito vantajosas quando comparadas às previstas na lei", explicou fonte oficial.

Adicionalmente, "o presidente executivo da Altice Portugal anunciou internamente que está a ser considerado um aumento salarial na empresa, de forma transversal, a incluir na revisão do Acordo Coletivo de Trabalho".

Além disso, "atendendo ao facto da responsabilidade social interna sempre ter sido um dos focos desta administração, foi hoje anunciado um Programa de Apoio, através da atribuição de bolsas a filhos de colaboradores que ingressem no ensino superior no ano letivo 21/22, desde que cumpram um conjunto de requisitos, nomeadamente a excelência na qualificação na média com que se candidatam", refere.

O sindicato dos trabalhadores do grupo Altice considera que a empresa está a violar um compromisso. Jorge Félix, presidente do sindicato, assegura que, quando comprou a PT, a Altice comprometeu-se, junto do sindicato, que não iria recorrer aos despedimentos coletivos.

"De 22 mil trabalhadores, cerca de 60% foram sendo reduzidos na nossa empresa ao longo dos tempos mas de forma negociada, através das pré-reformas, reformas antecipadas e dispensas do contrato de trabalho, sempre acordadas com os trabalhadores. Esse compromisso foi assumido pela Altice, logo no início, que disse que, ao comprar a PT Portugal, nunca recorreria a despedimentos, por qualquer motivo. Para nós, a Altice não falou verdade", explicou à TSF Jorge Félix.

Sobre a informação avançada pela empresa de que as condições de saída para os trabalhadores abrangidos pelo despedimento coletivo vão ser muito vantajosas, Jorge Félix afirma que é uma das questões para as quais quer respostas.

"Ainda agora houve cerca de 1100 trabalhadores que saíram pelas formas menos desvantajosas, nomeadamente de forma negociada através da pré-reforma e suspensão de contrato, em que são garantidas uma série de situações, nomeadamente uma prestação pecuniária correspondente a cerca de 80% do valor do salário. São essas as condições que a empresa vai propor? Se forem essas, menos mal, diria eu", afirmou o representante do sindicato dos trabalhadores do grupo Altice.

A comissão de trabalhadores da Altice classifica a notícia do despedimento coletivo na empresa como um murro no estômago. Francisco Gonçalves, coordenador da comissão de trabalhadores, conta que, depois do compromisso assumido na compra da PT, não esperava esta atitude. De resto, revela o que foi e não foi dito pela administração da empresa aos trabalhadores numa reunião esta terça-feira de manhã.

"Fomos confrontados esta manhã com uma reunião para a qual fomos convocados com intenção, da empresa, de proceder a um despedimento coletivo, um bocadinho abaixo dos 300 trabalhadores. Não nos quiseram adiantar o número certo nem quais são as empresas abrangidas por esta intenção, de qualquer forma, foi um murro no estômago que a comissão de trabalhadores e os trabalhadores da empresa receberam e não podemos esquecer que, em 2015, quando a Altice entrou nesta empresa e comprou a PT Portugal, uma das garantias do senhor Armando Pereira foi de que não iriam haver despedimentos na PT Portugal. Seis aos depois somos confrontados com essa situação, portanto os trabalhadores vão lutar, com todas as forças e armas, para impedir que haja um despedimento coletivo na empresa", acrescentou Francisco Gonçalves.

Nos últimos dois anos, a Altice Portugal "fez crescer o número de colaboradores diretos" em 5500, totalizando hoje 12 500, "sendo que nos quatro últimos anos integrou perto de três centenas de jovens com licenciatura e mestrado integrado de universidades portuguesas nos seus quadros".

Atualmente, de forma direta e indireta, a dona da Meo conta com 17 mil colaboradores.

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