Líderes mundiais querem eco de economia mas também de ecologia

Fórum Económico Mundial lança grito pela crise ambiental que não pode ficar pendurada numa nova crise económica.

Mais do que as questões financeiras e sociais, os especialistas de Davos colocam, pela primeira vez, as questões ambientais como um fator critico para a próxima década.

O Relatório dos Riscos Globais do Fórum Económico Mundial é um inquérito a 750 especialistas e decisores mundiais a quem é pedido para classificarem as suas maiores preocupações em termos de probabilidade e de impacto e ao longo de 15 anos nunca se tinha visto respostas desta natureza.

"Pela primeira vez, ao fim destas 15 edições, os cinco principais riscos em termos de probabilidade são ambientais", salienta o especialista de risco da Marsh Portugal, Fernando Chaves.

A Marsh e a Zurich são parceiros do Fórum Económico Mundial neste relatório que é dominado pela crise ecológica. "Há um ano tínhamos, no quarto e quinto lugar, dois riscos de âmbito tecnológico, este ano todos os cinco principais riscos são ambientais".

Estes riscos são:

- "eventos climáticos extremos com grandes danos ao património, às infraestruturas e perda de vidas humanas";

- "fracasso na mitigação e adaptação às alterações climáticas por governos e empresas";

- "grandes catástrofes naturais como terramotos, tsunamis, erupções vulcânicas e tempestades geomagnéticas";

- "perda significativa da biodiversidade e colapso de ecossistemas (terrestre ou marinho) com consequências irreversíveis para o ambiente, resultando em recursos severamente esgotados para a humanidade, assim como para as indústrias";

- "desastres e danos ambientais provocados pelo homem, incluindo crime ambiental, como o derramamento de petróleo e a contaminação radioativa".

Este ano, o relatório distingue o painel em termos etários e a visão dos nascidos depois de 1980 corresponde a um maior sentimento de perigo climático. "Para os mais jovens, os riscos climáticos ficam no topo da tabela."

Podemos dizer que estamos na economia perante um "efeito Greta Thunberg"? "Obviamente que a Greta tem um papel importante naquilo que é uma voz de comando para os mais jovens, mas já vínhamos a sentir o efeito Internet, e a questão do plástico não surge com o "efeito Greta"; já vinha a ocorrer e os mais jovens já vinham a demonstrar sentimentos de alguma repulsa e tentativa de alteração de comportamento dos mais velhos", sublinha Fernando Chaves.

Os riscos apontados pelo painel não têm só que ver com as alterações climáticas, têm também que ver com a existência de eventos extremos não necessariamente com origem no clima.

Por outro lado, aponta-se o receio de que uma nova crise económica estrangule as iniciativas de combate às alterações climáticas. "A eminência de uma potencial nova crise coloca-nos no limiar de um problema tremendo, que é o risco de uma nova crise económica, ou mais guerra, sob pena de que isso faça com que o investimento em investigação e desenvolvimento para encontrar soluções que venham dar resposta às questões do clima e do planeta depois não sejam solucionadas", conclui.

Quanto aos riscos de curto-prazo, o relatório aponta, os receios de três problemas ambientais numa lista de 10 riscos. Uma lista encabeçada pelos Confrontos económicos (mais relevante para 78,5% dos inquiridos), polarização política doméstica (78,4%), ondas de calor extremo (77,1%), destruição dos ecossistemas naturais (76,2%).

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